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Revolut amplia crédito no Brasil e planeja exportar soluções para outros mercados

Fintech britânica vê a operação brasileira como espaço para testar crédito, Pix e produtos que possam ser usados fora do país.

Revolut amplia crédito no Brasil e planeja exportar soluções para outros mercados

A Revolut quer transformar o Brasil em um centro de desenvolvimento de produtos de crédito para sua expansão internacional. A operação brasileira, que começou oferecendo uma conta global, passou a mirar também pagamentos, investimentos e empréstimos domésticos — áreas que podem ampliar o vínculo da fintech com os clientes além das viagens ao exterior.

Para Glauber Mota, CEO da Revolut Brasil, o uso disseminado do cartão de crédito no país cria condições para que a operação local desenvolva soluções aplicáveis em outras geografias. O executivo afirma que a companhia ainda empresta uma parcela pequena dos recursos depositados pelos clientes: “Por enquanto, ainda somos muito comedidos em fazer crédito, emprestamos de 3% a 4% [dos depósitos]. Existe uma grande oportunidade para o Brasil e para as Américas em liderar o segmento”.

Crédito como frente de expansão

A oferta foi ampliada em março deste ano, quando clientes elegíveis de todas as categorias de cartões passaram a ter acesso ao crédito. Na mesma etapa, a empresa lançou o plano Ultra, que inclui benefícios como entrada em salas VIP e pontuação em compras. Antes disso, os testes estavam restritos ao plano de entrada.

A estratégia separa os benefícios associados ao cartão da definição do limite. O cliente escolhe o plano de acordo com o pacote de serviços, enquanto a renda é considerada na análise que determina o valor disponível para empréstimo. Dessa forma, a contratação de uma categoria premium não garante, por si só, um limite maior.

A diferença de comportamento entre mercados também está no centro da estratégia. Mota diz que brasileiros tendem a preferir o crédito, enquanto consumidores europeus usam mais o débito. A expectativa é avançar com crédito em outras regiões, dando maior velocidade e ampliando o portfólio nos locais onde esse meio de pagamento já tem maior presença.

A distância entre a operação de crédito da Revolut e a de um concorrente brasileiro aparece em estimativas do BTG Pactual divulgadas em um relatório de junho de 2026. A Revolut tinha US$ 65,3 bilhões em depósitos e US$ 2,9 bilhões em crédito. O Nubank reunia US$ 41,9 bilhões em depósitos e US$ 32,7 bilhões em crédito.

A comparação ilustra modelos diferentes. O Nubank cresceu com base no cartão de crédito e concentrou sua atuação na América Latina. A Revolut, por sua vez, construiu uma plataforma global de serviços financeiros com menor exposição ao risco de emprestar.

Plataforma global e novas licenças

Fundada em 2015, a Revolut começou com câmbio e transferências internacionais e depois incorporou pagamentos, investimentos e planos de assinatura. A companhia tem mais de 80 milhões de clientes. Em julho, uma venda secundária de ações avaliou a empresa em US$ 115 bilhões. Como a companhia não está listada em bolsa, esse valor foi estabelecido em uma transação privada.

Em 2025, a receita do grupo chegou a US$ 6 bilhões, crescimento de 46%, enquanto o lucro antes de impostos alcançou US$ 2,3 bilhões, alta de 57%. A carteira mundial de crédito aumentou 120% no mesmo ano, para US$ 2,9 bilhões, principalmente por causa de empréstimos pessoais e cartões. O grupo também iniciou uma operação de refinanciamento imobiliário na Lituânia.

Esse avanço ocorreu sobre uma base de saldos de clientes de US$ 67,5 bilhões ao fim de 2025. O desafio é expandir a receita de crédito sem abandonar o controle sobre a escolha dos clientes, a definição de limites e a inadimplência.

A infraestrutura bancária da empresa também avançou em 2026. A Revolut recebeu autorizações para operar como banco no Reino Unido, na França e na Austrália. Nos Estados Unidos, teve em setembro uma autorização condicional para estabelecer um banco nacional, cuja abertura está prevista para 2027 e ainda depende de outras aprovações regulatórias.

Pix e serviços para empresas

A operação brasileira avalia levar soluções locais para outros mercados. Uma das possibilidades é permitir que brasileiros usem o Pix durante viagens internacionais e que estrangeiros recorram à ferramenta enquanto estiverem no Brasil, com a experiência integrada à plataforma global da Revolut.

Até agora, a exportação de recursos criados no país ocorreu em funções específicas, como uma ferramenta de segurança que limita transferências e oferece proteção em situações de roubo ou coerção. A capacidade de influenciar a oferta internacional ainda está em desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, a Revolut Brasil prepara a chegada de produtos já disponíveis em outras regiões. O lançamento do Revolut Business está previsto para 2027. A plataforma oferece câmbio, gestão de caixa, cartões corporativos, reembolsos e automação de processos para empresas, com presença na Europa, nos Estados Unidos e na Austrália.

Em 2025, o Business representou 16% da receita global e tinha 767 mil clientes, segundo a companhia. No fim de setembro, Álvaro Alberdi foi nomeado diretor de crescimento do Revolut Business para o sul da Europa e a América Latina, com responsabilidade por aquisição de clientes, parcerias e estratégias de expansão local.

Mota afirma que o segmento corresponde a aproximadamente 25% do resultado do grupo em 2026. Para o Brasil, o avanço do Business acrescentará uma frente empresarial à operação que começou com contas globais e busca ampliar sua participação na vida financeira de pessoas e empresas.

A estratégia também pretende fazer com que produtos desenvolvidos no Brasil sejam levados a outros países. Mota resume a posição da operação dizendo: “Não somos uma filial de banco estrangeiro. Somos uma instituição brasileira que usa a Revolut global [para crescer]”.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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