A possibilidade de que sistemas de inteligência artificial levem à extinção da humanidade divide especialistas do setor. Evan Hubinger, pesquisador da Anthropic na área de alinhamento de IA, estima em mais de 10% a chance de isso ocorrer na próxima década.
Jacob Coxon, que trabalhou na OpenAI e deixou recentemente a Anthropic, também alerta para o risco. Ele afirma que empresas participam de uma corrida pelo desenvolvimento de uma superinteligência capaz de se aperfeiçoar continuamente. Coxon diz ainda que muitos profissionais da área consideram, em conversas privadas, que sistemas avançados podem representar uma ameaça existencial aos seres humanos.
Anthropic e OpenAI não comentaram oficialmente essas acusações.
A avaliação de Miguel Nicolelis
O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis discorda dessa interpretação. Após receber mensagens de seguidores preocupados com os alertas, ele publicou um vídeo no Instagram para contestar as afirmações dos ex-pesquisadores e tranquilizar o público.
Nicolelis sustenta que a previsão de extinção da humanidade não é apoiada por evidências concretas nem por cálculos verificáveis capazes de justificar a estimativa de 10% de risco. Para ele, os alertas refletem mais interesses econômicos e ideológicos do que uma avaliação científica de riscos reais.
Médico, divulgador científico e professor emérito da Duke University, Nicolelis é pioneiro nos estudos sobre a interação entre cérebro e máquina. A Scientific American o reconheceu como um dos 20 maiores cientistas da atualidade.
O neurocientista também cita previsões anteriores que não se concretizaram. Na avaliação dele, a ideia de uma superinteligência capaz de extinguir a humanidade, difundida por grupos ligados ao movimento Altruísmo Eficaz, está mais próxima da ficção científica do que da ciência.
Nicolelis acrescenta que esses cenários ganham espaço enquanto empresas de IA buscam captar recursos e encontrar modelos de negócio lucrativos. Segundo sua análise, previsões catastróficas podem ser usadas para ampliar a influência política e econômica dessas companhias. Ele considera os rumores infundados e recomenda que o público não se deixe levar pelo alarmismo.


