HAIA — O ex-presidente do Kosovo Hashim Thaçi foi condenado nesta quarta-feira (16) a 25 anos de prisão por crimes de guerra cometidos durante o conflito entre o Kosovo e a Sérvia. A decisão foi tomada pelas Câmaras Especializadas do Kosovo, tribunal internacional instalado em Haia, nos Países Baixos.
A corte considerou Thaçi responsável pelo assassinato de 96 oponentes políticos e supostos colaboradores das forças de segurança sérvias. Também o declarou culpado pela detenção ilegal e arbitrária de 385 vítimas, pela tortura de 303 pessoas e pelo tratamento cruel imposto a outras 49.
Crimes durante o conflito
Os crimes ocorreram durante a Guerra do Kosovo, entre 1998 e 1999, quando Thaçi liderava o Exército de Libertação do Kosovo (ELK), grupo de etnia albanesa que lutava pela independência em relação à Sérvia. O objetivo foi conquistado quase uma década depois do fim da guerra, em 2008.
Segundo o juiz presidente, Charles Smith, o ELK mantinha centros de detenção em áreas sob seu controle, identificava pessoas consideradas opositoras e as prendia. Em alguns casos, afirmou o magistrado, elas eram mortas. As vítimas eram mantidas em condições desumanas, com espancamentos, confinamento em celas pequenas, alimentação inadequada e falta de assistência médica. A corte afirmou que nenhuma delas participava ativamente das hostilidades quando os crimes foram cometidos.
Thaçi negou as acusações e permaneceu em silêncio durante a leitura da sentença. Ele ainda pode recorrer. Seu período na presidência começou mais de 15 anos após o fim da guerra e durou de 2016 a 2020.
Reação no Kosovo
O ex-comandante do ELK ainda é reverenciado por grande parte da população do Kosovo, país com pouco mais de 1,5 milhão de habitantes. Em Pristina, pessoas acompanharam a sessão por um telão e vaiaram a decisão. Algumas choraram, enquanto outras gritavam o nome do ex-presidente.
“Este veredicto é vergonhoso. A partir de hoje, não haverá paz no Kosovo”, disse Raif Pllana, ex-combatente do ELK. Kosovares também se reuniram em frente à sede do tribunal, em Haia, para manifestar apoio a Thaçi.
As Câmaras Especializadas do Kosovo foram instituídas em 2015, após pressão internacional para julgar ex-combatentes acusados de crimes cometidos durante o conflito.


