O procurador-geral da República, Paulo Gonet, confirmou que se encontrou com Daniel Vorcaro em Londres, em abril de 2024, mas negou manter amizade com o banqueiro ou ter interesse pessoal nos processos envolvendo o Banco Master. A manifestação, de 37 páginas, foi encaminhada ao Conselho Superior do Ministério Público Federal após solicitação do subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino.
Sanseverino relata um procedimento que analisa representação do partido Novo para eventual impedimento de Gonet no caso Master. O Conselho marcou para o próximo dia 25 uma sessão destinada a avaliar a suspeita de ligação entre o procurador-geral e Vorcaro, com base em um documento da Polícia Federal levado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, nos autos da Operação Compliance Zero.
Gonet afirmou que não é amigo do banqueiro e rejeitou a interpretação de mensagens atribuídas a ele em conversas envolvendo o advogado Ciro Soares. Segundo a Polícia Federal, uma dessas mensagens mencionaria saudade de Vorcaro, que também teria sido chamado de máquina. O procurador-geral disse que as expressões não eram dirigidas ao banqueiro. “Não tenho com o sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma”, escreveu.
O encontro em Londres
Gonet declarou que sua única interação presencial com Vorcaro ocorreu em abril de 2024, durante um evento em Londres com painéis sobre assuntos jurídicos e atualidade política, inclusive internacional. Ele havia sido convidado para falar sobre o papel do Judiciário para a estabilidade democrática.
Também participaram do encontro os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes; o então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski; o advogado-geral da União, Jorge Messias; o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; os ministros do Superior Tribunal de Justiça Luiz Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques e Benedito Gonçalves; e o ex-presidente Michel Temer, entre outras personalidades.
O procurador-geral afirmou que, até aquele momento, Vorcaro era desconhecido para ele e que o Banco Master parecia ser uma instituição financeira em atividade regular. Segundo Gonet, o contato ocorreu em momentos de convivência com diversos convidados, sem conversa de natureza profissional e sem que houvesse, à época, informação pública sobre atividades ilícitas do banco ou de seu dirigente.
Atuação no caso Master
Gonet também negou ter trabalhado para impedir investigações sobre o Banco Master. Ele disse que anotações de Vorcaro com o nome Paulo, produzidas em 30 de outubro e em 5 e 15 de novembro de 2025, tratavam de medidas que o banqueiro temia na primeira instância.
“Não recebi interferência nenhuma para obstar investigações”, afirmou Gonet. O procurador-geral declarou que respeitou a atuação dos colegas e garantiu suporte institucional e material para a apuração dos fatos.
Na manifestação, Gonet informou que continuará atuando nos procedimentos relacionados ao Banco Master e a Vorcaro. Ele sustentou que não há elemento capaz de comprometer sua atuação nem motivo para abertura de investigação criminal sobre sua conduta.
A sessão do Conselho Superior será presidida pelo vice-presidente do colegiado, Nicolao Dino, irmão do ministro Flávio Dino, do STF. O órgão é a instância máxima administrativa do Ministério Público Federal e é formado por dez integrantes, incluindo o procurador-geral, o vice-procurador-geral, quatro subprocuradores-gerais eleitos pelo Colégio de Procuradores e outros quatro escolhidos pelos próprios pares. Os representantes eleitos pelo Colégio de Procuradores têm mandato de dois anos.


