A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP) defendeu nesta sexta-feira (4) o afastamento de Paulo Gonet do cargo de procurador-geral da República. Em entrevista, ela criticou a atuação do chefe do Ministério Público Federal e citou investigações relacionadas ao Supremo Tribunal Federal, à CPMI do INSS e ao Banco Master.
A parlamentar afirmou que Gonet não estaria tomando as providências esperadas e mencionou suspeitas envolvendo mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para Adriana, o procurador-geral deve ser afastado enquanto o caso é investigado, sem que isso antecipe uma conclusão sobre sua responsabilidade.
“Então, afastamento é salutar”, disse a deputada, ao criticar a postura de Gonet diante das mensagens e de um jantar que, segundo ela, teria custado R$ 3 milhões. Adriana também afirmou que o procurador-geral tem direito de se defender, mas deveria permanecer afastado durante a apuração.
A deputada defendeu ainda o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do STF, como forma de recuperar a credibilidade das instituições. Ela disse que as suspeitas contra Gonet precisam ser investigadas antes de qualquer conclusão.
Críticas à CPI do Banco Master
Adriana Ventura também criticou os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, pela falta de avanço na instalação de uma CPI para investigar o Banco Master. Segundo ela, a Câmara segue uma ordem cronológica para a análise dos pedidos e não teria instalado CPIs sob a atual presidência.
A deputada acusou Alcolumbre de não ter interesse em criar a comissão no Senado e afirmou que parlamentares estariam tentando impedir as investigações. Na avaliação dela, uma eventual apuração só deve avançar na próxima legislatura, com mudanças nas presidências das Casas.
Procedimento no Ministério Público Federal
O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu um procedimento interno para analisar mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro que mencionam Paulo Gonet. O pedido foi apresentado na quarta-feira (2) por parlamentares do Partido Novo, e o caso ficou sob relatoria de Francisco de Assis Sanseverino.
Mensagens periciadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro indicariam que Gonet teria pedido a inclusão de seu filho, o advogado Pedro Gonet Branco, em uma lista de autoridades que viajariam a Londres com despesas pagas pelo ex-banqueiro.
A relação reunia seis nomes. Após ser questionado sobre os participantes, Vorcaro inicialmente demonstrou surpresa e, depois de receber uma justificativa, confirmou que arcaria com as despesas de Pedro Gonet Branco e de Ciro, recusando o pagamento para outros nomes.


