Donald Trump afirmou nesta sexta-feira (18) que o governo dos Estados Unidos pretende exigir que fabricantes dividam determinadas vacinas infantis em cinco doses separadas. O presidente disse que a mudança provocaria uma redução maciça dos casos de autismo, mas não apresentou evidências científicas para sustentar essa relação, que já foi refutada repetidamente por cientistas.
Trump também não informou quais vacinas seriam alteradas. Durante um evento no Salão Oval, declarou: "Vamos recomendar que sejam aplicadas cinco doses... e que sejam administradas em intervalos de seis meses". Segundo ele, a medida faria com que apenas uma pequena quantidade da vacina fosse injetada no corpo a cada aplicação.
A proposta se soma a uma decisão anunciada anteriormente pelo governo. Em agosto, Trump assinou um decreto que determina a redução do número de vacinas infantis e limita o calendário de vacinação a 11 imunizações. O presidente afirmou que a medida ofereceria às crianças norte-americanas uma proteção de “padrão-ouro” e aproximaria os Estados Unidos de países que recomendam menos doses.
Medidas previstas no decreto
O decreto também determinou que a população receba vacinas separadas contra sarampo, caxumba e rubéola. Nenhuma dessas vacinas individuais é licenciada nos Estados Unidos, e especialistas afirmam que pode levar anos até que alguma delas seja disponibilizada — se isso vier a ocorrer.
A decisão atende a um objetivo defendido há anos pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., que promove uma suposta ligação entre vacinas e autismo. A associação, porém, é negada repetidamente por cientistas. O administrador do Centro de Serviços Medicare e Medicaid, dr. Mehmet Oz, participou do evento em que Trump conversou com Kennedy.


