WASHINGTON — A visita de Estado de Xi Jinping aos Estados Unidos combinou honras militares, jantar na Casa Branca e demonstrações de cordialidade de Donald Trump, mas terminou sem avanços concretos nas principais disputas entre os dois países. O encontro ocorreu em um cenário de competição por comércio, tecnologia e segurança, além das divergências sobre Taiwan.
A recepção contrastou com uma declaração feita por Trump em 2015, quando ele criticou a ideia de oferecer um jantar de Estado ao líder chinês durante o governo de Barack Obama. Na ocasião, disse que serviria a Xi um hambúrguer do McDonald’s e que os dois deveriam começar a trabalhar.
Desde então, Trump ocupou a Casa Branca, entrou em uma guerra comercial com Pequim, perdeu a eleição para Joe Biden, voltou ao poder e encontrou uma relação bilateral marcada por disputas que incluem tarifas, inteligência artificial, semicondutores e terras raras. A dependência dos Estados Unidos em relação a esses recursos deu à China uma fonte de pressão sobre Washington.
Gestos de aproximação e cenas informais
Trump recebeu Xi pessoalmente em uma base militar de Maryland. Durante a cerimônia, dois bombardeiros B-1B da Força Aérea dos Estados Unidos sobrevoaram o local. O presidente americano se encolheu, apertou os olhos e fez uma careta com o estrondo das aeronaves, enquanto Xi permaneceu praticamente impassível.
Depois, Trump publicou nas redes sociais que o dirigente chinês parecia “forte, vibrante e em forma melhor do que nunca”. Também afirmou que os Estados Unidos e a China “nunca se deram tão bem”.
Na Casa Branca, o presidente americano mostrou a Xi as obras do novo salão de festas e outras reformas feitas no complexo presidencial. Diante da galeria com retratos de presidentes dos Estados Unidos, apresentou o espaço reservado a Biden, onde havia uma imagem de uma autopen, caneta automática usada para reproduzir assinaturas.
Trump costuma usar a ferramenta para ironizar a capacidade física e mental do antecessor democrata, embora ela também tenha sido utilizada por outros presidentes, inclusive pelo próprio Trump. Xi, conhecido pela formalidade em aparições públicas, reagiu com uma risada.
Os dois líderes também trocaram gestos pouco comuns em encontros oficiais entre chefes de grandes potências. Trump tocou várias vezes o braço e as costas de Xi, que retribuiu o contato em uma das ocasiões. Em outro momento, ao ver uma fotografia dos dois, Trump brincou: “Quem é esse? Não reconheço”. Xi sorriu.
Ao final, Trump descreveu a reunião como marcada por “amizade, força e sucesso” para os dois países. Ele afirmou que voltará a encontrar Xi em novembro, na China, durante a cúpula da Apec, e depois em dezembro, no G20 em Miami.



