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Greve dos Correios termina com reajuste, mas sindicatos veem perdas no plano de saúde

TST encerrou a paralisação sem desconto dos dias parados, enquanto trabalhadores criticam mudanças no benefício e o plano de reestruturação da estatal.

Greve dos Correios termina com reajuste, mas sindicatos veem perdas no plano de saúde

A greve nacional dos trabalhadores dos Correios terminou na quinta-feira (24) após decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que considerou a paralisação não abusiva, impediu o desconto dos dias parados e fixou reajuste salarial de 4,09%, retroativo a 1º de agosto. As entidades sindicais, porém, avaliam que o resultado trouxe perdas em direitos, sobretudo no plano de saúde, e não interrompeu a reestruturação da estatal.

O índice definido pelo TST ficou abaixo dos 4,35% oferecidos pelos Correios antes da greve. Das 80 cláusulas analisadas no dissídio, 73 foram mantidas. Outras seis foram excluídas, entre elas a gratificação de férias de 70%, a liberação de dirigentes sindicais, o programa habitacional para empregados e a garantia de pagamento dos salários no último dia útil bancário do mês.

A decisão também modificou a regra do plano de saúde, que havia sido o principal ponto de impasse da campanha salarial. Pelo modelo acolhido no julgamento, os Correios deixam de ser mantenedores do benefício e passam a oferecer um subsídio empresarial, com adesão facultativa dos trabalhadores. O Correios Saúde II continuará em vigor até que as novas regras sejam implementadas.

Para Suzy Cristiny, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Acre (Sintect-AC) e secretária de imprensa da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect), a alteração afeta uma categoria exposta a riscos no trabalho e que considera o benefício fundamental. “Com esse julgamento, a empresa adotará mudanças, apresentará um novo modelo de plano de saúde, e isso é preocupante”, afirmou.

Federações avaliam o resultado

Os trabalhadores são representados nacionalmente pela Fentect e pela Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect). A Findect destacou, em comunicado divulgado na sexta-feira (25), o reconhecimento de que a greve não foi abusiva, o reajuste de 4,09% e a compensação dos dias parados sem desconto nos salários. A entidade informou que aguardará a publicação do acórdão para analisar os pontos da decisão, inclusive a mudança no plano de saúde.

A federação também afirmou que havia espaço para uma solução negociada antes do julgamento e que a direção dos Correios não teria demonstrado disposição para superar os principais impasses. Uma reunião com a empresa foi marcada para 1º de outubro, com o objetivo de retomar a mesa permanente de negociação.

Na avaliação da Fentect, o plano de saúde é a principal preocupação após o julgamento. Suzy também afirmou que a decisão alcança pontos relacionados a férias, repouso, vale-alimentação e cláusulas sindicais. Wilton dos Santos Lopes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos de Mato Grosso do Sul (Sintect-MS), classificou a mudança no benefício como a maior derrota do movimento.

Parte das perdas está relacionada ao dissídio da greve anterior. Em 30 de dezembro de 2025, o TST havia mantido regras sobre ticket extra de alimentação, plano de saúde, pagamento de 200% pelo trabalho em dias de repouso e gratificação de férias de 70%. Em 23 de janeiro, os Correios pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão desses pontos, alegando impacto financeiro e questionando a competência do TST para estabelecer as condições.

Três dias depois, Alexandre de Moraes, então no exercício da Presidência do STF, suspendeu provisoriamente as quatro cláusulas. A medida permaneceu válida até o julgamento definitivo da questão. No novo dissídio, a gratificação de férias foi excluída, enquanto o plano de saúde recebeu nova redação.

Reestruturação mantém conflito

A paralisação, iniciada em 10 de setembro, terminou sem alterar o plano de reestruturação anunciado pelos Correios em dezembro de 2025. A proposta prevê o fechamento de mil agências consideradas deficitárias e o estímulo ao desligamento de até 15 mil trabalhadores por meio de um Programa de Demissão Voluntária (PDV). A empresa apresentou as medidas como parte de uma estratégia para recuperar a liquidez, modernizar a operação e diversificar receitas.

Segundo Wilton, unidades já estão sendo fechadas, enquanto a redução do quadro de empregados prejudica a capacidade de atendimento. Ele afirmou que a diminuição do número de trabalhadores pode deixar municípios sem atendimento e precarizar a prestação do serviço à população.

Suzy disse que trabalhadores têm sido remanejados entre unidades, com efeitos sobre as condições de trabalho e o atendimento. Para ela, o plano não contribui para o fortalecimento da empresa e a greve também buscou expor os riscos da reestruturação para a população brasileira.

A proposta foi apresentada em meio ao agravamento da situação financeira dos Correios. A estatal encerrou 2024 com prejuízo superior a R$ 2,6 bilhões e acumulava perdas de R$ 6,1 bilhões até setembro de 2025. Ao mesmo tempo, o quadro de funcionários caiu de 123 mil trabalhadores, em 2015, para cerca de 84 mil em setembro de 2025.

Os Correios estão presentes nos 5.570 municípios brasileiros. De acordo com a própria estatal, 89% das agências operavam de forma deficitária para cumprir as obrigações de universalização do serviço.

Wilton afirmou que a redução das despesas com pessoal não considera que a maior parte do processo de entrega é realizada por pessoas. Ele reconheceu que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva retirou a estatal do processo de privatização, mas cobrou investimentos para reverter a precarização acumulada.

Suzy defendeu a ampliação das fontes de receita e o uso da rede nacional dos Correios para oferecer outros serviços. Como exemplo, citou a participação da empresa no atendimento a aposentados e pensionistas afetados por descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em 2025, a estatal recebeu contestações e viabilizou procedimentos relacionados à devolução dos valores em municípios sem atendimento presencial do INSS.

A dirigente também afirmou que a capilaridade da empresa poderia ser usada para levar serviços do governo federal a diferentes regiões do país. Para ela, existem alternativas no segmento logístico e possibilidades de agregar novos serviços à rede, mas o diálogo com a direção dos Correios tem sido prejudicado.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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