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Política

Augusto Cury cresce nas pesquisas e tenta se apresentar como alternativa à polarização

Candidato do Avante aparece em terceiro nas pesquisas, aposta nas redes e apresenta propostas baseadas em sua teoria da Gestão da Emoção.

Como Cury, 'gestor da emoção', supera ex-governadores na busca ao Planalto
Foto: Diego Vara - 1º.set.26/Reuters

O candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, passou a aparecer em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, à frente dos ex-governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Os levantamentos citados registraram 10% e 11% para o escritor, que ficou atrás de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Um dos institutos apontou crescimento de nove pontos em uma semana; o Datafolha também indicou avanço, mas de forma mais limitada.

A melhora ocorreu depois de Cury ampliar sua exposição pública. Ele participou do debate da TV Bandeirantes, no dia 23, e foi entrevistado pelo Jornal Nacional, no dia 29. A campanha, porém, concentra parte importante de sua estratégia nas redes sociais. Cury tem 10,7 milhões de seguidores no Instagram, número próximo dos 11,4 milhões de Flávio Bolsonaro.

Redes sociais e estratégia eleitoral

Dados da plataforma Palver registraram aumento das menções ao candidato, de 2.309 em julho para 27.678 em agosto. Entre os dias 23 e 31, foram 24.046 citações, equivalentes a 87% do total do mês.

Cury também ganhou mais de 2,5 milhões de seguidores em uma semana e cresceu nas buscas do Google depois do debate. O movimento provocou especulações sobre o uso de robôs e o financiamento de influenciadores, práticas proibidas. A campanha afirma que o crescimento é orgânico.

Um estrategista eleitoral ouvido sob anonimato avaliou que a expansão seria desproporcional diante da audiência do debate, estimada em cerca de dois pontos. A candidatura tenta construir a imagem de um nome distante das disputas tradicionais entre direita e esquerda. O marqueteiro Leandro Grôppo, que trabalhou nas duas campanhas de Romeu Zema ao governo de Minas Gerais, apresentou a leitura de que parte da população estaria cansada da polarização.

Cury adotou como eixo a ideia de pacificação e rejeita a classificação de terceira via. Aliados dizem que ele vinha planejando entrar na política havia pelo menos uma década, mas adiava a decisão por causa da resistência familiar. No início deste ano, conversou com Aécio Neves e Gilberto Kassab antes de se filiar ao Avante.

O partido tem cinco deputados e um senador, Marcos do Val, que declarou apoio a Flávio Bolsonaro, e não ao candidato da própria legenda. O vice de Cury é o ex-deputado Júlio Delgado.

Imagem pessoal e propostas

A campanha explora a trajetória de Cury como escritor, psiquiatra e empresário. Ele costuma aparecer acompanhado da mulher, Suleima Cury, com quem é casado há 43 anos, e das três filhas, Camila, Carol e Claudia. Camila, que é psicóloga, afirmou ter tentado convencê-lo a desistir, mas o pai respondeu que havia chegado sua hora na política.

Ao mesmo tempo, Cury participa de atividades comuns em campanhas eleitorais. Gravou vídeos comendo pastel, visitou escolas e igrejas, participou de podcasts e esteve na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Também foi à sede da Assembleia de Deus, em São Paulo, para uma reunião fechada com o pastor José Wellington Costa Junior.

Com patrimônio declarado de R$ 242 milhões, Cury é o candidato mais rico da disputa presidencial. Ele afirma ter escrito mais de 70 obras e apresenta seu programa de governo a partir de conceitos ligados à mente humana, à construção dos pensamentos e à emoção.

O plano entregue à Justiça Eleitoral menciona filósofos como Friedrich Nietzsche, Hannah Arendt e Immanuel Kant e recorre mais de 30 vezes à teoria da Gestão da Emoção, desenvolvida pelo próprio candidato. Questionado sobre possível conflito de interesses, Cury respondeu: "Eu daria gratuitamente para todas as escolas públicas do Brasil e do mundo. Esse é um programa para a humanidade".

Entre as propostas estão ampliar o uso de inteligência artificial na segurança e no combate à corrupção, criar um aplicativo para acionar a polícia e expandir a telemedicina para reduzir a pressão sobre o SUS. O candidato também defende o Programa Nacional de Saúde Mental, a recriação do Ministério da Segurança Pública e uma lista tríplice para a escolha do delegado-geral da Polícia Federal.

Na economia, promete buscar déficit fiscal próximo de zero, controlar gastos, reduzir gradualmente a dívida pública e criar 10 milhões de novos empreendedores. Para o Supremo Tribunal Federal, propõe mandato de oito anos, idade mínima de 50 anos e a redução das atuais 11 cadeiras para 9, com pelo menos 3 mulheres.

Questionamentos sobre a Gestão da Emoção

A teoria que dá nome à principal marca intelectual de Cury inclui a chamada síndrome do pensamento acelerado. A psiquiatra Elisa Brietzke, professora titular da Queen's University, no Canadá, questiona a falta de base científica para tratar o conceito como uma síndrome independente. A expressão não aparece na classificação de doenças da Organização Mundial da Saúde nem no manual de diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria.

Brietzke afirma que sintomas associados à síndrome podem ter causas diferentes, como apneia do sono, depressão, hipotireoidismo, TDAH, ansiedade e transtorno bipolar. Na avaliação da psiquiatra, explicações simplificadas podem afastar pacientes dos tratamentos adequados. "Esse conceito nunca foi nem sequer examinado por estudos científicos, sendo completamente irrelevante na literatura psiquiátrica", disse.

Patrimônio e negócios

A carreira empresarial de Cury inclui atividades no agronegócio. Na declaração à Justiça Eleitoral, ele informou R$ 242 milhões em bens, entre fazendas, apartamentos, prédios, investimentos e participações em empresas. Cury detém 99,97% da Filadélfia Nature, holding ligada a plantações e outras atividades rurais.

Uma propriedade associada à empresa, a Fazenda Serra Branca, fica em Prata, em Minas Gerais. Em fevereiro de 2024, um homem que fazia extração de produto no local morreu. A companheira dele afirmou na Justiça do Trabalho que o trabalhador era empregado rural, embora fosse tratado formalmente como parceiro e não tivesse registro em carteira.

Cury negou tê-lo contratado ou se beneficiado diretamente do trabalho. A Filadélfia declarou que havia cedido à Hevea-Minas a exploração de parte da fazenda e que cabia à empresa contratada fazer acordos com terceiros. O processo terminou em acordo de R$ 100 mil, sem decisão sobre o vínculo trabalhista ou as demais alegações. Cury e a Filadélfia foram excluídos da ação e não participaram do pagamento.

Em 2013, o escritor fundou com Maria Isabel Garcia Castro a Faculdades Brasil Inteligente, em Belém, hoje Faculdade Cosmopolita. A sociedade durou menos de dois meses. Cury vendeu suas 1,5 milhão de quotas por R$ 1,5 milhão, mas afirmou não ter recebido o valor no prazo. Em 2018, entrou na Justiça; em maio de 2021, a cobrança chegava a R$ 3,41 milhões. Parte da dívida foi recuperada por bloqueios judiciais, mas o débito não foi totalmente quitado.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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