SÃO PAULO — O candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, classificou como eleitoreira a decisão anunciada pelo presidente Lula na última sexta-feira (25) de acabar com as bets no Brasil. Para Cury, o petista estaria mais preocupado em permanecer no poder do que com a população, que, segundo ele, enfrenta uma “UTI financeira”.
O médico e escritor questionou o momento escolhido para a medida e afirmou que o governo deveria ter agido antes. Ele também criticou a regulamentação das apostas feita em 2023, que considerou um erro. Como alternativa à proibição, defendeu a cobrança de impostos elevados, entre 50% e 60%, em modelo semelhante ao aplicado ao cigarro por causa da dependência associada ao produto.
Cury afirmou que Lula teria criado um problema ao regulamentar as bets e agora tentaria corrigi-lo próximo da eleição. Na avaliação do candidato, a decisão não levaria em conta apenas os efeitos financeiros das apostas, mas também as condições emocional e biológica da população.
Pesquisas e propostas econômicas
O candidato também comentou a pesquisa mais recente da Quaest, divulgada nesta segunda-feira (28). O levantamento aponta Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro, do PL, com 34%. Cury caiu de 6% para 4% e aparece empatado com Ronaldo Caiado, do PSD.
Apesar da queda, Cury disse acreditar que o resultado das urnas poderá ser diferente do indicado pelos levantamentos. Ele afirmou que pretende crescer na campanha e encerrar a polarização política.
Após uma reunião no Banco Bradesco, em São Paulo, o candidato defendeu ainda a redução da taxa básica de juros. A Selic está em 13,75% ao ano. Sua proposta é realizar uma revisão ampla da máquina pública, reduzir os gastos em relação à arrecadação e diminuir os déficits primário e nominal.
Cury disse que, com responsabilidade fiscal, o Banco Central poderia levar os juros a 7% ou 8% dentro de um ano a um ano e meio.


