SÃO PAULO — A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli prepara medidas para contestar as duas condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e tentar impedir sua extradição da Itália para o Brasil. O advogado brasileiro Eduardo Maurício atuará em conjunto com o italiano Pieremilio Sammarco nos processos nos dois países.
Maurício afirmou que serão apresentadas revisões criminais contra as condenações. A primeira, de dez anos de prisão, está relacionada à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à inserção de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. A segunda, de cinco anos e três meses, decorre do episódio em que Zambelli ameaçou e apontou uma arma de fogo para um homem em São Paulo.
A estratégia também prevê a atuação no processo de extradição que tramita na Justiça italiana. Os advogados pretendem solicitar a retirada do nome de Zambelli da lista vermelha da Interpol e apresentar representações a organismos internacionais, como o Tribunal Penal Internacional e a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
“Nosso objetivo é contestar as condenações do Supremo Tribunal Federal, utilizar todos os recursos legais disponíveis e evitar a extradição de Carla Zambelli”, afirmou Eduardo Maurício.
Condenações e processo na Itália
A defesa sustenta que as condenações brasileiras são ilegais e abusivas. Entre os argumentos apresentados estão alegações de perseguição política, afronta à Lei e às quatro linhas da Constituição Federal e desrespeito às garantias processuais por parte de Alexandre de Moraes. Maurício também declarou que entregar Zambelli ao Brasil equivaleria a “sentenciar sua morte”.
Em julho, a Corte Suprema de Cassação da Itália anulou uma decisão que autorizava a extradição e determinou uma nova análise do caso. Antes disso, a Corte de Apelação de Roma havia autorizado a extradição em 26 de março de 2026, em um dos processos.
Zambelli foi presa em Roma em 29 de julho de 2025, depois de ter o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol. Ela ficou detida no presídio feminino de Rebibbia enquanto a Justiça italiana examinava os pedidos apresentados pelo Brasil. Em 22 de maio de 2026, a Corte Suprema de Cassação anulou uma das decisões e determinou sua soltura.
Em 1º de julho de 2026, a mesma corte anulou a segunda decisão favorável à extradição, relacionada ao caso da arma, e ordenou que o processo voltasse à Corte de Apelação de Roma. Em setembro de 2026, Zambelli permanecia na Itália, em liberdade, enquanto a Justiça italiana reanalisa o pedido.
Casos que levaram às condenações
O episódio da arma ocorreu em 29 de outubro de 2022, no bairro dos Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições. A então deputada sacou uma arma e perseguiu um homem pelas ruas. O caso resultou em condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
Em 29 de fevereiro de 2024, a Polícia Federal indiciou Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto pela invasão dos sistemas do CNJ e pela inserção do falso mandado de prisão. Zambelli negou participação.
Em 15 de maio de 2025, a Primeira Turma do STF impôs a pena de dez anos de prisão, além da perda do mandato e da inelegibilidade pelo período previsto na legislação. Pouco depois, em junho de 2025, Zambelli deixou o Brasil e seguiu para a Itália, país onde também possui cidadania.
O STF confirmou em outubro de 2025 a condenação de cinco anos e três meses pelo episódio da arma. Após uma disputa entre a Câmara e o STF sobre a perda do mandato, Zambelli renunciou ao cargo de deputada federal em 14 de dezembro de 2025.


