Paulo Nogueira Batista Jr. afirma que as eleições de 2026 representam um risco existencial para o Brasil e pede que setores da esquerda, mesmo críticos ao governo, votem pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O economista sustenta que a disputa terá uma dimensão internacional ampliada pela política dos Estados Unidos para a América Latina.
O autor divide a esquerda brasileira em três grupos. O primeiro é formado pelos lulistas que apoiam integralmente o presidente e rejeitam críticas a ele. O segundo reúne a esquerda radical, descrita como marxista ou próxima do marxismo, que se diz desiludida com o terceiro governo de Lula e defende neutralidade em 2026. O terceiro é a esquerda crítica, da qual Batista Jr. afirma fazer parte: mantém as críticas ao governo, mas pretende votar no presidente.
O argumento internacional
Para o economista, o Brasil já esteve à beira de um precipício político em 2018 e 2022. Ele associa a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, a um retrocesso em várias áreas e atribui à vitória apertada de Lula sobre Bolsonaro, em 2022, a interrupção desse processo e o início de uma reconstrução nacional.
Batista Jr. afirma que o cenário atual teria um agravante: a entrada dos Estados Unidos em uma fase mais agressiva de sua política externa, especialmente em relação à América Latina. Como alerta para a região, menciona o que descreve como sequestro do presidente da Venezuela em 2026, seguido pela transformação do país em protetorado norte-americano e pela exploração de seus recursos petrolíferos.
Nesse contexto, o autor considera a candidatura de Flávio Bolsonaro alinhada aos interesses dos Estados Unidos. Ele cita uma carta atribuída a Marco Rubio, ministro das Relações Exteriores de Donald Trump, na qual Rubio agradeceria a Flávio Bolsonaro pela oferta de criar um grupo de transição com o governo norte-americano caso fosse eleito: “We note your optimism regarding the upcoming October elections and your generous offer to place a transition team at our disposal should you be elected.”
Comparação entre os candidatos
O economista contrapõe essa posição ao que chama de nacionalismo discreto de Lula. Embora reconheça que o nacionalismo do presidente seria mais retórico do que prático, ele destaca as críticas de Lula ao governo de Benjamin Netanyahu e sua postura diante do conflito entre Israel e palestinos.
Em relação a Flávio Bolsonaro, Batista Jr. menciona a aproximação com Israel e a indicação de Cláudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil, como primeiro nome anunciado para um eventual ministério. Também apresenta Jair Bolsonaro como o principal eleitor do filho e afirma que seu governo deixou um legado pesado para o sucessor.
Ao final, o autor pede que a esquerda crítica tente conquistar ao menos um voto para Lula, ainda que sem a mesma disposição demonstrada em 2022. Aos lulistas, recomenda uma mobilização direta junto aos indecisos. Para Batista Jr., o apoio eleitoral ao presidente é uma questão de “salvação nacional”.



