O senador Flávio Bolsonaro contratou para seu gabinete Celso Leonardo Barbosa, ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal demitido após denúncias de assédio sexual. O assessor foi nomeado em junho de 2025, com salário mensal de R$ 20,7 mil, e exonerado somente depois que o gabinete foi questionado sobre sua permanência na equipe.
Barbosa era considerado homem de confiança de Pedro Guimarães, que presidia a Caixa e havia sido indicado ao cargo por Jair Bolsonaro. Guimarães também deixou o banco público após denúncias de assédio sexual. O caso envolveu uma viagem a Goiás no âmbito do programa Caixa Mais Brasil.
Uma empregada da Caixa acusou Barbosa de assédio sexual e, em entrevista ao Fantástico, afirmou que ele teria acobertado abusos cometidos por Pedro Guimarães. O ex-vice-presidente foi demitido da Caixa pouco depois da saída de Guimarães e formalizou um acordo de não persecução penal com a Justiça no processo relacionado ao caso. Ele assumiu culpa e prestou serviços comunitários.
Barbosa também responde a um processo por falsidade ideológica. A denúncia sustenta que ele inseriu informações inverídicas em documentos exigidos para sua indicação ao cargo de vice-presidente da Caixa.
Exoneração e atividades paralelas
Em nota, Flávio Bolsonaro disse que o assessor omitiu pendências judiciais e descumpriu normas do Senado ao exercer atividades particulares durante o expediente. “Diante da gravidade dos fatos, o desligamento foi realizado de forma imediata”, declarou o senador.
Além do trabalho no gabinete, Barbosa atuava como professor da Fundação Dom Cabral. A instituição informou que ele estava cadastrado como professor convidado eventual, sem vínculo empregatício. Registros em suas redes sociais mostram aulas e palestras realizadas durante o horário de expediente, inclusive fora de Brasília.
Reação do Sindicato
A presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, afirmou que a entidade havia cobrado providências da direção da Caixa diante das denúncias de assédio moral e sexual contra Pedro Guimarães e integrantes de sua equipe. Para ela, a contratação de Barbosa para um cargo com remuneração superior a R$ 20 mil representa uma premiação a alguém com histórico de abusos e ilegalidades.
Neiva também criticou o uso eleitoral e o desmonte do banco público atribuídos à gestão de Guimarães e afirmou que o sindicato realizou protestos e moveu ação judicial sobre os episódios.



