O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes voltou a confrontar o colega André Mendonça e defendeu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em uma publicação feita no X nesta quinta-feira, 17. Para Gilmar, a divulgação de conversas sem conteúdo ilícito atingiu injustamente a reputação de Gonet e não deveria ter ocorrido.
A crítica foi dirigida também a um vídeo publicado por Mendonça nas redes sociais, no qual o ministro agradeceu manifestações de apoio. Gilmar afirmou que a iniciativa teria revelado uma tentativa de obter ganhos políticos com o episódio. Ele também questionou o momento da retirada do sigilo, realizada às vésperas do 7 de Setembro, e disse que a medida serviria para produzir efeitos políticos, atingir reputações e pressionar opositores.
“Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele”, escreveu Gilmar. O ministro sustentou que Mendonça reconheceu, durante o julgamento, a regularidade da atuação do procurador-geral.
Origem do conflito
As conversas expostas envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro e Paulo Gonet. Os contatos incluíram mensagens e telefonemas intermediados pelo advogado Ciro Soares. Em um dos diálogos, Gonet disse sentir saudades e chamou Vorcaro de “máquina” depois de aceitar um convite para uma degustação de uísque em Londres e pedir que o filho fosse convidado.
Na sessão extraordinária do STF de terça-feira, 15, Gonet negou ter mantido relação relevante com o banqueiro e declarou que “a única ligação, intermediada por advogada, foi brevíssima e banal”. No dia 16, perante o Conselho Superior do Ministério Público Federal, afirmou que nunca deixou de lado as investigações sobre fraudes no Master envolvendo Vorcaro e que ninguém lhe pediu para livrar o banqueiro.
Uma mensagem supostamente enviada ao ministro Alexandre de Moraes mostra Vorcaro pedindo ajuda a Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, para conter a Operação Compliance Zero. O Conselho se reunirá no próximo dia 25 para analisar o caso. Os conselheiros poderão apontar indícios de crime e designar um subprocurador-geral da República para investigar Gonet ou arquivar o processo por falta de evidências de crime comum.
Comparação com a Lava Jato
Gilmar também comparou a divulgação seletiva de informações à atuação de Deltan Dallagnol e Sérgio Moro na Lava Jato. Segundo o ministro, os dois teriam usado vazamentos para antecipar julgamentos públicos e obter dividendos políticos. Dallagnol é apresentado como ex-procurador da operação e candidato ao Senado pelo Paraná; Moro, como ex-juiz da Lava Jato e candidato ao governo do Paraná.


