O governo de Lula anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de cerca de 15% no Bolsa Família. O benefício linear passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o pagamento médio subirá de R$ 675 para R$ 777. A medida foi formalizada por decreto, mas o governo ainda não informou quando os novos valores começarão a ser pagos.
O anúncio ocorreu durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, a 17 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Lula assinou a medida e não fez declarações públicas. A ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, comunicou a decisão, e o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, apresentou as justificativas para o reajuste.
Moretti afirmou que o decreto autoriza a reposição inflacionária para preservar o poder de compra dos beneficiários. O cálculo considera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) até agosto. O ministro classificou a medida como uma ação de justiça social e disse que o aumento está dentro das regras previstas em lei.
Impacto no orçamento
O ministro também afirmou que um relatório de despesas, previsto para 24 de setembro, indicou espaço fiscal para conceder o reajuste. A estimativa é de impacto de R$ 5,8 bilhões neste ano, a partir da folha de outubro, e de cerca de R$ 22 bilhões no ano que vem.
Segundo Moretti, a Lei Orçamentária de 2027 será ajustada para acomodar o aumento. A proposta já havia sido encaminhada ao Congresso Nacional em agosto.
O ministro relacionou a medida ao zeramento da fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), anunciado no início do mês por Wolney Queiroz, ministro da Previdência Social. De acordo com Moretti, a redução da fila gerou recursos dentro do espaço fiscal, sem alteração da despesa total.
Moretti disse ainda que o reajuste mantém dois objetivos do governo: atender as famílias mais vulneráveis e recompor seu poder de compra, com responsabilidade fiscal.


