SÃO JOSÉ DO RIO PRETO — O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, atacou a gestão de Tarcísio de Freitas durante ato de campanha neste sábado (5). Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice Geraldo Alckmin, Haddad criticou a situação financeira e educacional do estado e relacionou o governador ao escândalo envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.
Haddad afirmou que São Paulo mantinha as contas organizadas havia 30 anos, desde o governo de Mário Covas, mas passou a enfrentar um déficit orçamentário. Segundo ele, Tarcísio recebeu o governo com R$ 22 bilhões em caixa e hoje o estado teria R$ 5 bilhões, valor suficiente, em sua avaliação, para uma semana.
Em 2025, as contas paulistas registraram déficit orçamentário de R$ 12,2 bilhões, o pior resultado desde 1995 em percentual do Orçamento do estado. Para 2026, último ano do mandato de Tarcísio, a projeção mencionada no ato é de um déficit superior a R$ 9 bilhões.
Educação e Banco Master
Na educação, Haddad disse que São Paulo liderava o ranking nacional do ensino médio público em 2015, durante a gestão de Alckmin. O estado caiu para o terceiro lugar no governo de João Doria e chegou à décima posição durante a administração de Tarcísio.
“O bolsonarismo odeia a educação, porque ele se nutre da deseducação”, afirmou Haddad. Ele atribuiu a queda no ranking à atuação do atual governador.
O candidato também mencionou o Banco Master, classificando a instituição como parte de uma estrutura criada para manter a extrema direita no poder. Haddad afirmou que o banco fez negócios com três ex-ministros de Jair Bolsonaro e questionou a relação entre o financiamento eleitoral e os beneficiários.
Nas eleições de 2022, Daniel Vorcaro doou R$ 5 milhões às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas: R$ 3 milhões para o então presidente e R$ 2 milhões para o candidato ao governo paulista. Em uma proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, o ex-banqueiro afirmou que os repasses eram pagamento de propina articulado com Gilberto Kassab, presidente do PSD. Tarcísio, Kassab e a defesa de Bolsonaro negaram.
Haddad ainda citou o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, ao mencionar a compra de 50 imóveis em dinheiro vivo, uma mansão no Lago Sul e um pedido de R$ 130 milhões para um fundo da família nos Estados Unidos, supostamente feito na casa de Vorcaro.
O ato reuniu também Marina Silva, Simone Tebet e Márcio França. Ao encerrar o discurso, Haddad mencionou suas raízes na região e agradeceu a Uchoa por ter acolhido seu pai, imigrante libanês, na década de 1940.



