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Política

A independência centro-americana entre a ruptura espanhola e a tutela das elites

A separação formal de 1821 foi seguida pela permanência de autoridades coloniais e pela anexação da região ao México.

A independência centro-americana entre a ruptura espanhola e a tutela das elites

A independência da América Central teve dois marcos distintos: a ruptura formal com a Espanha, em 1821, e a declaração de soberania diante do México e de qualquer outra potência, em 1823. A diferença entre as datas revela uma transição conduzida pelas elites coloniais, com participação popular limitada e permanência de estruturas ligadas à Coroa espanhola.

A ata assinada na Cidade da Guatemala completou 205 anos na terça-feira (15). O documento encerrou formalmente o vínculo com a Espanha na Capitania-Geral da Guatemala, território que abrangia as áreas correspondentes aos atuais Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica, além de Chiapas, hoje um estado mexicano.

Os antecedentes da ruptura

A movimentação pela emancipação começou antes da assinatura. Entre os episódios citados estão o levante de San Salvador, em 1811, e a Conjuração de Belém, de 1813, uma conspiração reprimida na Cidade da Guatemala.

O descontentamento também cresceu com as reformas bourbônicas, implementadas ao longo do século 18 e aprofundadas durante o reinado de Carlos III. A Coroa ampliou a cobrança de tributos, reforçou o controle sobre as atividades comerciais e enviou mais funcionários espanhóis para a administração colonial. Essas medidas contrariavam os criollos, descendentes de espanhóis nascidos na América, que viam a presença de europeus como uma ameaça à influência que exerciam nas colônias.

A invasão napoleônica da Espanha, entre 1808 e 1813, agravou a crise da monarquia e abriu disputas sobre a legitimidade do poder colonial. O controle da compra e da venda de produtos também alimentava a insatisfação. Victor Manuel Ramos, presidente da Academia Hondurenha de Geografia e História, afirma que a família Aycinena dominava parte relevante do comércio entre as províncias e a metrópole, impondo preços desfavoráveis a produtores e compradores criollos.

As revoluções haitiana e francesa, a independência dos Estados Unidos, a luta mexicana e as campanhas de Simón Bolívar e General San Martín também contribuíram para a circulação de ideias independentistas.

Uma independência organizada pelas elites

A ata não apenas anunciou a separação da Espanha. Seu primeiro artigo expressou o temor de que uma ruptura conduzida pelo povo provocasse consequências sociais de grandes proporções. A solução adotada foi organizar a independência no interior das próprias elites coloniais.

O artigo 7º determinou que as autoridades já instaladas, escolhidas pela Coroa, continuariam em seus cargos até que um congresso definisse o futuro político da região. A reunião estava prevista para março de 1822, mas não ocorreu.

A exclusão popular, segundo a interpretação apresentada por Ramos, tinha relação com a tentativa de preservar posições e privilégios. O plano de Gabino Gainza e Mariano Aycinena era transferir a América Central do domínio espanhol para o mexicano, mantendo os herdeiros do poder colonial protegidos pela estrutura do novo império.

Houve resistência a essa alternativa. Dolores Bedoya de Molina é citada como uma das ativistas que defenderam um governo próprio. Na noite anterior à assinatura, segundo o relato de Ramos, ela percorreu a cidade para mobilizar moradores. A população reunida diante do Palácio Nacional pressionou pela independência, e não apenas pela troca de uma metrópole por outra.

A anexação ao México e a segunda declaração

A junta presidida por Gabino Gainza aprovou a adesão ao México em 5 de janeiro de 1822, pouco mais de três meses depois da ruptura com a Espanha. A decisão enfrentou resistência em algumas localidades, especialmente em San Salvador, que foi derrotada por tropas cerca de um ano depois.

A anexação interrompeu a formação de um governo próprio. Agustín de Iturbide havia solicitado a incorporação à Junta Provisional Consultiva, sediada na Cidade da Guatemala. Conforme a explicação de Ramos, o objetivo era evitar que uma América Central independente se tornasse uma porta de entrada para uma tentativa espanhola de recuperar a região e, depois, o México.

Com a queda da monarquia mexicana ainda em 1822, Vicente Filísola convocou um congresso em 1º de julho de 1823. Presidido por José Matías Delgado, o encontro declarou a independência em relação à Espanha, ao México e a qualquer outra potência. A região passou a se chamar Províncias Unidas da América Central.

A nova organização incluiu uma Assembleia Nacional Constituinte e um governo provisório formado por três membros. Em 1824, foi criada a República Federal da América Central, que permaneceu integrada até sua dissolução entre 1838 e 1841, depois de uma série de guerras civis.

Duas datas para a independência

Para Ramos, a data de 1823 representa a independência efetiva, porque o documento daquele ano rejeitou a incorporação ao Império Mexicano e afirmou a liberdade da região diante de qualquer potência. A experiência republicana continuou marcada por disputas entre lideranças e províncias, enquanto Francisco Morazán se tornou uma referência na defesa da unidade centro-americana.

O historiador considera que a celebração de 15 de setembro não encerra a discussão sobre soberania. “A elite criolla acreditava que, se mantendo perto do império, poderia manter seus privilégios”, afirma Ramos.

A sequência dos acontecimentos inclui a continuidade de dirigentes coloniais, a anexação ao México e a tentativa de construir governos soberanos. Por isso, a memória da independência permanece dividida entre a ruptura formal de 1821 e as lutas políticas que se estenderam até 1823 e além desse período.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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