SALVADOR — O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), defendeu neste sábado (5) a atuação dos movimentos populares na cobrança por políticas públicas e pediu que essas organizações mantenham diálogo direto com o governo. A declaração ocorreu durante um café da manhã com representantes de movimentos populares em Salvador.
Rodrigues afirmou que a pressão dos movimentos é necessária para garantir recursos destinados à reforma agrária, à agroecologia, às escolas do campo e à universidade. Também disse que governa orientado por sua trajetória política e pediu que as demandas sejam apresentadas de perto, diante das pressões que recebe de diferentes setores.
“Falem de perto comigo”, afirmou o governador.
Políticas para o campo
Jerônimo criticou a resistência da direita a políticas voltadas à população rural, ao desenvolvimento local e à permanência das pessoas em seus territórios. Na avaliação dele, a educação no campo não deve ser limitada à obtenção de um diploma, porque também envolve a formação de valores vinculados ao lugar onde as pessoas vivem.
O deputado federal Valmir Assunção (PT-BA), que participou do encontro, defendeu avanços nas políticas para os povos do campo. Ele afirmou que não é mais aceitável que famílias permaneçam 20, 30 ou 40 anos vivendo sob lonas em assentamentos, nem que essas comunidades continuem sem creches, institutos federais e políticas para a juventude.
Assunção também defendeu a ampliação do diálogo entre os movimentos e o governo sobre as reivindicações relacionadas à reforma agrária.
Disputa pelo governo da Bahia
Durante uma coletiva de imprensa, Rodrigues minimizou os resultados das pesquisas que indicam empate técnico entre ele e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). Uma pesquisa AtlasIntel divulgada na quinta-feira (3) apontou ACM Neto com 49,1% das intenções de voto e Rodrigues com 47,9%.
O governador disse que usa as pesquisas para identificar pontos de melhora, mas afirmou que manterá a estratégia de carreatas e alianças com vereadores, prefeitos, vice-prefeitos e ex-prefeitos, independentemente dos levantamentos.
Para Rodrigues, a eleição envolve mais do que a escolha dos cargos de presidente e governador. Ele associou a disputa a projetos para o país, incluindo soberania, desenvolvimento, geração de empregos e investimentos em infraestrutura.
Ao comentar o cenário político, citou 2019, ano em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) assumiu o mandato, e afirmou que a democracia brasileira precisa ser defendida.


