Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a reunião com Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, no Palácio do Planalto durou cerca de meia hora. O presidente voltou a dizer que recebeu o empresário antes do agravamento das investigações sobre a instituição financeira.
Durante sabatina do SBT Brasil realizada nesta quinta-feira (10), Lula relatou que Vorcaro foi ao governo acompanhado de outra pessoa para reclamar que estaria sendo perseguido. O presidente afirmou que respondeu que o banco seria avaliado pelas mesmas regras aplicadas às demais instituições.
Lula também disse que não havia interesse do governo em fechar o Banco Master, mas que a instituição precisava operar de acordo com as normas. “Ninguém tem interesse em fechar banco. Agora, você tem que estar correto. Como não estava, nós fechamos”, declarou.
O encontro foi intermediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e ocorreu fora da agenda oficial do presidente. Também participaram Rui Costa, ministro da Casa Civil, e Gabriel Galípolo, que já havia sido escolhido e aprovado pelo Senado para comandar o Banco Central, mas ainda não tinha tomado posse.
Antecedentes do caso
Em novembro daquele ano, Vorcaro havia sido convocado pelo Banco Central para assinar um termo de comparecimento. O documento funcionava como um alerta e dava ao Banco Master 180 dias para solucionar problemas de liquidez. Naquele período, Roberto Campos Neto presidia o Banco Central, e as investigações ainda não eram públicas.
O caso ganhou maior repercussão em 2025, quando o Banco de Brasília tentou comprar o Banco Master. Em setembro daquele ano, o Banco Central rejeitou a operação. Em novembro, determinou a liquidação da instituição de Vorcaro, cerca de 11 meses depois da reunião no Planalto.
Ao tratar publicamente do encontro em fevereiro de 2026, Lula afirmou que disse a Vorcaro que não haveria interferência política. Segundo o presidente, caberia ao Banco Central fazer uma análise técnica da situação do banco.


