O deputado federal Mário Frias (PL-SP) afirmou nesta quinta-feira (10) que a Operação Make Up, da Polícia Federal, tem motivação eleitoral. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele classificou a ação como uma cortina de fumaça e contestou a investigação sobre emendas parlamentares destinadas a projetos esportivos e de letramento digital.
Segundo Frias, a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão em sua residência. Os investigadores levaram celular, documentos e computador. O deputado disse que os recursos, no valor total de R$ 2 milhões, foram direcionados a iniciativas voltadas a crianças e adolescentes e que a aplicação das emendas é pública e transparente.
“A investigação é sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões que destinei para contemplar um projeto esportivo e outro de letramento digital”, afirmou Frias.
O parlamentar também criticou o fato de sua defesa não ter tido, segundo ele, acesso prévio aos autos. Ele sustentou que a execução das emendas não ocorre diretamente por meio do deputado: os valores são encaminhados pelo Tesouro ao órgão responsável, que aprova o plano de trabalho e acompanha a prestação de contas.
Frias questionou a necessidade da operação e afirmou que eventuais documentos solicitados pela Controladoria-Geral da União poderiam ser apresentados sem uma ação policial. Disse ainda que continuará exercendo suas atividades públicas e que pretende colaborar com as investigações.
O que a operação investiga
De acordo com a Polícia Federal, a Operação Make Up apura a atuação de uma suposta organização criminosa que teria utilizado empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados. As apurações financeiras identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre os alvos.
A Controladoria-Geral da União participou da operação e apontou irregularidades na destinação dos R$ 2 milhões. O órgão registrou insuficiência na comprovação da capacidade técnica e operacional do Instituto Conhecer Brasil, ONG que recebeu os recursos e é administrada pela produtora Karina Ferreira da Gama.
Há dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal relacionados à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Um deles, sob relatoria do ministro Flávio Dino, investiga o suposto uso indevido de emendas parlamentares destinadas ao longa-metragem. O outro, relatado pelo ministro André Mendonça, apura repasses feitos pelo empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção.


