Em artigo de opinião, Élio Gasda afirma que as eleições deste ano terão impacto decisivo sobre o futuro do Brasil e da América Latina. Para o autor, estarão em disputa a soberania nacional, a democracia, as conquistas sociais e as riquezas naturais do país.
A partir do relatório Resistindo ao Domínio dos Ricos, lançado pela OXFAM no início de 2026, Gasda organiza sua análise em cinco pontos. O primeiro é a aproximação entre elites econômicas e políticas, que, segundo ele, amplia a presença de bilionários nos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. O autor afirma que um milionário tem quatro mil vezes mais chances de ocupar um cargo público do que a população em geral.
Na avaliação apresentada, a participação dos super-ricos na política busca preservar privilégios, ampliar patrimônios e impedir reformas sociais. Gasda também relaciona desigualdade e fragilidade democrática: países muito desiguais teriam sete vezes mais risco de sofrer retrocessos democráticos. Entre as medidas associadas a esse processo, ele cita ajustes fiscais, redução de gastos públicos e privatizações.
O artigo sustenta ainda que a influência econômica não se limita à pressão sobre governos. Para Gasda, pessoas ricas passaram a ocupar espaços dentro do Estado, em um movimento marcado pela circulação entre grandes empresas, instituições financeiras e administrações públicas. Esse processo permitiria, na visão do autor, que interesses privados interferissem diretamente nas decisões governamentais.
Donald Trump é apresentado como o principal símbolo internacional desse avanço. Gasda afirma que o governo do presidente norte-americano favorece milionários ao reduzir impostos, enfraquecer regras para grandes corporações e dificultar a tributação de lucros e dividendos. Ele também menciona que, em 2025, o patrimônio de Trump chegou a US$ 6,7 bilhões, cerca de R$ 38 bilhões, após a valorização de ações da Trump Media.
No caso brasileiro, o autor afirma que a renda da parcela mais rica cresceu três vezes mais do que os rendimentos dos mais pobres. Sua conclusão é que o volume de recursos aplicado na política permite aos mais ricos escolher candidatos, influenciar eleições e preservar uma estrutura social desigual. Ao final, Gasda convoca os eleitores a identificar, durante a disputa eleitoral, os representantes dessa elite milionária.
Élio Gasda é teólogo, membro da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB) e professor da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE).


