O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que as suspeitas sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro resultam de uma farsa montada e de uma vingança de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A manifestação foi apresentada ao presidente da Corte, Edson Fachin, antes do julgamento que decidirá se a investigação contra Moraes será aberta ou arquivada.
A sessão está marcada para as 10h desta terça-feira, 15. É a primeira vez que Moraes se pronuncia sobre as conversas atribuídas a ele e Vorcaro, dono do Banco Master. O ministro apresentou uma defesa de 44 páginas, na qual também questiona a legalidade da apuração conduzida sob a relatoria de André Mendonça.
Moraes sustenta que a investigação foi realizada sem pedido da Procuradoria-Geral da República e sem autorização do plenário do STF. Segundo ele, o procedimento não identificou indícios de infração penal e teria sido direcionado por motivações político-eleitorais. O ministro relacionou as suspeitas à atuação de aliados de pessoas condenadas no núcleo ligado a Jair Bolsonaro.
Contestação às mensagens
Cerca de dez páginas da defesa foram dedicadas ao conteúdo extraído do celular de Vorcaro. Moraes negou ter enviado mensagens ao banqueiro e afirmou que os supostos diálogos foram construídos a partir de interpretações de textos encontrados em blocos de notas. Para o ministro, não há mensagem de sua autoria que indique consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de operação policial.
As suspeitas envolvem pedidos atribuídos a Vorcaro para que Moraes interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Também foram mencionados um contrato de R$ 131 milhões entre Viviane Barci de Moraes e Vorcaro, conversas sobre uma possível saída do banqueiro do país antes da prisão, cobranças relativas a pagamentos ao escritório Barci de Moraes e cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.
Moraes também negou ter tratado com qualquer autoridade sobre a Operação Compliance ou ter vazado informações. A prisão de Vorcaro, segundo a defesa, ocorreu no momento do embarque na alfândega do Aeroporto André Franco Montoro/Cumbica-SP, com passaporte verdadeiro e o celular do investigado, que foi apreendido.
Questionamentos sobre a cadeia de custódia
O ministro classificou o relatório da Polícia Federal como duplamente nulo. A primeira razão seria a determinação judicial que considera incompetente e ilegal, questão que, segundo ele, teria sido apontada em parecer de Paulo Gonet. A segunda estaria no conteúdo do documento, que Moraes descreveu como baseado em ilações, fragmentos e desvio de finalidade.
André Mendonça informou à presidência do STF que mantém em seu gabinete uma cópia dos dados extraídos do celular de Vorcaro. De acordo com ele, o arquivo foi entregue pela Polícia Federal em março como cópia de segurança, enquanto o material original permanece sob custódia da corporação em Brasília. Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Moraes também requisitaram acesso aos dados brutos.
Moraes argumenta que o envio do material ao gabinete do relator, sem procedimentos de segurança, teria comprometido a cadeia de custódia e permitido a inclusão de arquivos falsos ou mensagens em blocos de notas. A defesa também questiona a possibilidade de acesso de terceiros aos dados.
Caso Nabas
Para sustentar sua argumentação, Moraes citou a investigação sobre o perito criminal João Cláudio Nabas. A Polícia Federal informou a André Mendonça que Nabas teria produzido os arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” a partir de referências aos ministros localizadas no celular de Vorcaro. Ele também teria sugerido a colegas o vazamento do material.
A apuração levou a uma busca e apreensão contra Nabas, por suspeita de violação de sigilo funcional. Depois da operação, ele foi afastado de suas funções. Moraes afirma que Mendonça já tinha conhecimento formal da menção a seu nome quando a operação ocorreu e que teria aguardado o momento político-eleitoral que considerasse mais oportuno para conduzir a investigação.
Na defesa, Moraes associou a divulgação do caso ao período anterior aos comícios de 7/9 e afirmou que o procedimento poderia favorecer determinado grupo político nas eleições de outubro de 2026. Mendonça, por sua vez, mantém sob sua guarda a cópia dos dados recebidos da Polícia Federal.


