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Nunes consultará STF sobre contrato de Wi-Fi de R$ 108 milhões em São Paulo

Prefeito afirma que poderá romper acordo com o Instituto Conhecer Brasil se decisão de Flávio Dino atingir contratos já existentes.

Nunes consultará STF sobre contrato de Wi-Fi de R$ 108 milhões em São Paulo
Foto: Reprodução

O prefeito Ricardo Nunes afirmou nesta sexta-feira (11) que consultará o Supremo Tribunal Federal (STF) para saber se uma decisão do ministro Flávio Dino exige o rompimento do contrato de Wi-Fi mantido pela Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil (ICB). Caso o tribunal confirme que a determinação alcança acordos já em vigor, a administração municipal deverá encerrar o vínculo.

A decisão foi tomada no contexto da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (10). Dino determinou a suspensão do direito de entidades e empresas investigadas de participar de licitações e contratar com o poder público. A medida incluiu o ICB e outras pessoas jurídicas relacionadas à apuração.

O instituto é presidido pela empresária Karina Ferreira da Gama, também proprietária da Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Karina e o ICB foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal.

Contrato e serviço de Wi-Fi

Nunes disse que a consulta ao STF pretende esclarecer se a decisão de Dino impede a manutenção de um contrato existente ou se vale apenas para novas contratações. “Nós vamos consultar hoje o STF se a empresa realmente não pode mais ter contrato com ninguém”, afirmou.

O prefeito declarou que a eventual interrupção afetaria os 3.200 pontos de Wi-Fi instalados em comunidades e favelas da capital paulista. Ele também defendeu a regularidade do processo de contratação, dizendo que a licitação permaneceu aberta durante 30 dias e foi acompanhada pelo Tribunal de Contas.

O ICB foi contratado por R$ 108 milhões, em 2024, para executar o programa Wi-Fi Livre. Nunes afirmou que o serviço vem sendo prestado com qualidade e separou o acordo municipal das suspeitas relacionadas ao filme. “Nosso contrato não tem nada a ver com o 'Dark Horse'”, disse.

A Polícia Civil de São Paulo investiga se recursos do contrato de Wi-Fi foram desviados. O inquérito apura possível confusão patrimonial e busca determinar se dinheiro público foi direcionado à produção do filme.

Investigações sobre recursos

A Polícia Federal também investiga suspeitas de desvios de recursos federais provenientes de emendas parlamentares destinadas ao ICB, além de movimentações financeiras envolvendo empresas ligadas a Karina. Na decisão que autorizou a operação, Dino reproduziu informações da investigação sobre a circulação de recursos entre o instituto, empresas contratadas por ele e a Academia Nacional de Cultura (ANC), outra entidade presidida pela empresária.

Os investigadores identificaram transferências para a ANC feitas por empresas que receberam recursos do ICB. A apuração busca esclarecer a origem e o destino desses valores e verificar se houve desvio de recursos e lavagem de dinheiro.

O ICB recebeu R$ 2 milhões em emendas de Mario Frias. A Polícia Federal examina contratos financiados com esse dinheiro e sua possível relação com a produção de Dark Horse.

Também foram analisadas movimentações da Go Up Entertainment. A produtora movimentou R$ 19,03 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período parcialmente coincidente com as filmagens, realizadas em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro daquele ano. Entre as operações está uma transferência de R$ 645,4 mil feita por Mario Frias à Go Up e outra, de R$ 750 mil, realizada pela NTT Brasil, empresa ligada a um grupo de fornecedores mencionado na investigação sobre os recursos do ICB.

Ao comentar as suspeitas, Nunes afirmou que eventuais irregularidades devem ser responsabilizadas e disse que ninguém está acima da lei.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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