A Polícia Federal investiga uma possível ligação entre Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, e recursos associados a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Um relatório elaborado pelos investigadores levanta a hipótese de que Toffoli fosse o beneficiário final ou o proprietário de fato do fundo Arleen, que recebeu ao menos R$ 35 milhões de Vorcaro.
O fundo tinha participação no Tayayá, resort no interior do Paraná pertencente ao ministro e à família dele. A apuração também identificou uma operação pela qual recursos do Arleen foram enviados para a Egide I, holding registrada nas Ilhas Virgens Britânicas. Em 2025, o empresário Alberto Leite, amigo de Toffoli, comprou o fundo. No mesmo período, o regulamento do Arleen foi alterado para permitir investimentos no exterior. Em dezembro daquele ano, cerca de R$ 34 milhões foram transferidos para a holding.
A PF afirmou que documentos e comunicações analisados indicavam o possível uso de intermediários e de estruturas fora do país. O relatório, contudo, registrou que os elementos não permitiam conclusões definitivas e que seria necessário aprofundamento analítico.
Negativas do ministro
O gabinete de Dias Toffoli negou que ele tenha recursos no exterior. Em nota, afirmou que o ministro “jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior” e que nunca realizou operações nas Ilhas Virgens Britânicas. Toffoli também negou amizade ou intimidade com Vorcaro e disse nunca ter recebido valores dele ou do cunhado do empresário.
Sobre um evento em Londres mencionado na investigação, o ministro afirmou que participou a convite de Alexandre de Moraes. Ele também negou ter alterado seu voto em processo relacionado a precatórios do setor sucroalcooleiro.
A PF levantou ainda a hipótese de que Vorcaro tenha tentado influenciar a atuação de Toffoli em um caso envolvendo a empresa Alcídia, do grupo Atvos. A decisão poderia afetar uma carteira de precatórios do setor superior a R$ 10 bilhões no Banco Master.
Mensagens trocadas perto do julgamento mostraram preocupação de integrantes do banco com uma mudança na posição do ministro. Vorcaro afirmou que estava “tratando” do assunto. O julgamento foi adiado e, quando retomado, Toffoli votou a favor da Alcídia, retomando a posição que historicamente adotava. O ministro sustenta que manteve a mesma posição no caso da Raízen.


