Uma plataforma do Instituto Girl Up Brasil permite consultar como diferentes regiões votaram em candidatas mulheres nas eleições de 2022. O levantamento pode ser visualizado por estado, município e local de votação, categoria que o projeto associa informalmente à ideia de bairro.
O Marias do Bairro foi desenvolvido a partir de microdados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A ferramenta reúne informações de mais de 92 mil locais de votação distribuídos pelos 5.570 municípios brasileiros e calcula a porcentagem de votos destinados a mulheres para a Câmara dos Deputados e o Senado.
Distâncias entre municípios e estados
Os resultados municipais mostram uma diferença ampla entre as localidades. São Sebastião do Tocantins, no Tocantins, registrou o maior percentual: 79,2% dos votos válidos considerados pela plataforma foram destinados a mulheres.
No extremo oposto está Porto Alegre do Piauí, município do Piauí que não deve ser confundido com a capital do Rio Grande do Sul. Ali, candidatas mulheres receberam 0,42% dos votos analisados. Olivença e Monteirópolis, em Alagoas, tiveram 0,43% e 0,47%, respectivamente. Canutama, no Amazonas, aparece com 0,54%.
Na comparação entre unidades da federação, o Distrito Federal lidera, com 64,8% dos votos destinados a mulheres. Entre os estados, o Tocantins tem o maior índice, com 44,3%, seguido por Mato Grosso do Sul, com 39,4%; Amapá, com 38,5%; Rondônia, com 37,1%; e Pernambuco, com 33,4%.
Alagoas registra o menor percentual, com 4,3%. Também estão entre os índices mais baixos Amazonas, com 5,2%; Minas Gerais, com 8%; Piauí, com 10,3%; e Maranhão, com 10,7%.
Como consultar os dados
A pesquisa pode ser feita nos três níveis disponibilizados pela plataforma: estado, município e local de votação. A referência a bairro é usada porque esses locais costumam reunir eleitores de regiões próximas.
Além de consultar os percentuais, o usuário pode compartilhar o resultado pelo WhatsApp ou baixar materiais para impressão e circulação na comunidade. A proposta é transformar o dado eleitoral em ponto de partida para conversas sobre a presença feminina na política.
Daniela Costa, gerente de Redes e Advocacy da Girl Up Brasil, afirma que a intenção é fazer com que a informação circule entre vizinhas, amigas e grupos de rua, associada à defesa de mais mulheres no Congresso.
A organização também pretende levar o tema a escolas, feiras, condomínios, salões e outros espaços comunitários por meio de sua rede de jovens líderes, formada por meninas de 13 a 22 anos. Os materiais previstos incluem cartazes, adesivos, bandeiras, tatuagens temporárias e o jornal fictício “O Amanhã”, que imagina um futuro com mais mulheres na política brasileira.
Representação no Congresso
A plataforma apresenta os dados em um contexto de baixa presença feminina na Câmara dos Deputados. Nas eleições de 2022, 91 das 513 pessoas eleitas para a Casa eram mulheres.
Para a Girl Up Brasil, ampliar a representação feminina significa incluir mais diversidade de experiências na elaboração, na discussão e na aprovação das leis. Daniela Costa diz que o objetivo não se limita à eleição de mulheres, mas envolve mudanças na forma de fazer política e o enfrentamento das desigualdades que afetam meninas e mulheres.
Com as eleições de 2026 se aproximando, a consulta permite observar como cada região votou quatro anos antes e relacionar os resultados locais ao debate sobre a representação feminina no Congresso.



