O programa de governo de Augusto Cury (Avante) propõe a adoção do semipresidencialismo, mandatos de oito anos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a criação de uma diplomacia econômica. Dividido em projetos e teses, o documento também apresenta medidas para educação, inclusão social, empreendedorismo, agricultura, saúde, meio ambiente e segurança pública.
Educação, inclusão e proteção às mulheres
Com cerca de 200 páginas, o plano coloca a educação em tempo integral como principal prioridade estratégica. A proposta prevê escolas com debates, artes, esportes e espaços de convivência, além de mudanças no ensino médio e nas universidades, que passariam a atuar como polos de inovação e geração de patentes.
O eixo Brasil Neuroinclusivo estabelece uma política permanente para pessoas com autismo, TDAH, dislexia e altas habilidades. Entre as medidas estão planos de inclusão por escola e um Mapa Nacional da Neurodiversidade. A iniciativa Mulheres Vivas propõe ações contra o feminicídio, botões de alerta, monitoramento de agressores e prioridade para vítimas de violência em programas de qualificação, empreendedorismo e emprego.
Economia, moradia e produção
O plano prevê um Ministério do Empreendedorismo e da Economia Distribuída, clubes e escolas de empreendedorismo e um Banco do Empreendedor, com crédito de até R$ 20 mil e juros reduzidos. Para as favelas, a proposta é regularizar até 5 milhões de moradias em dez anos, sem retirar os ocupantes atuais, e financiar 2 milhões de pequenos empreendedores locais com valores entre R$ 2 mil e R$ 20 mil.
Na agricultura, o projeto Brasil Oásis pretende transformar o semiárido em uma fronteira agrícola, com segurança hídrica e tecnologias de irrigação. A meta é duplicar a produção de alimentos, multiplicar por dez as exportações de frutas em uma década e fortalecer 3,9 milhões de estabelecimentos de agricultura familiar. O programa também defende 10 mil agroindústrias no interior e 100 usinas de etanol de milho no Nordeste.
A proposta de cooperativismo prevê elevar o número de cooperados de 27 milhões para 54 milhões. Na exportação, o plano estabelece zonas francas em cinco estados, com foco em inteligência artificial, robótica, semicondutores, energia limpa e drones.
Relações internacionais e serviços públicos
O programa propõe reestruturar as embaixadas brasileiras como estruturas voltadas à diplomacia econômica e à inteligência comercial. Também prevê deslocar efetivo diplomático dos Estados Unidos e da Europa para mercados emergentes do Oriente Médio, da Índia, da China e de outros países asiáticos.
Na saúde, o Tele Saúde Brasil pretende criar uma plataforma pública de medicina digital, com atendimento em até 30 minutos para casos compatíveis. A iniciativa Sociedade Está Abraçando prevê prevenção e rastreamento contínuo de diferentes tipos de câncer, com expansão de unidades móveis.
O plano ainda sugere um fundo internacional para combater a fome, financiado pelo comércio global e pela indústria de armas, com mobilização estimada entre US$ 177 bilhões e US$ 342 bilhões por ano.
Energia, meio ambiente e segurança
A proposta Energias Renováveis do Brasil estabelece a meta de alcançar 90% de matriz energética limpa até 2040, com uso de inteligência artificial e incentivo ao hidrogênio verde. O programa Petra BR busca mapear minerais críticos e terras raras para estimular a industrialização e o refino no país.
Para a Amazônia, o plano prevê saneamento, infraestrutura, conectividade, combate a incêndios com inteligência artificial e drones, além de apoio à bioeconomia, à pesca e ao turismo ecológico. Também propõe remunerar populações locais como guardiãs da floresta.
Na segurança pública, o programa Segurança 4.0 defende a integração das polícias estadual e federal. A proposta inclui a criação da Força de Combate Municipal (Foco), um sistema integrado de dados, proteção escolar com botões de emergência e monitoramento inteligente das fronteiras.


