Renan Santos, candidato do Missão à Presidência da República, passou a defender que o próximo governo adote uma postura de confronto direto com o Supremo Tribunal Federal (STF) desde o início do mandato. A mudança representa uma revisão de sua posição anterior, segundo a qual o Executivo só deveria reagir caso fosse provocado pelo Judiciário.
Em sabatina à Jovem Pan, Renan afirmou que não pretende cumprir decisões de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros que considera ilegítimos. Ele também defendeu o afastamento dos dois e, posteriormente, a abertura de processos de impeachment. A justificativa apresentada envolve a crise interna do Supremo e investigações da Polícia Federal relacionadas ao caso Master.
“Se o STF manter Toffoli e Moraes, quer dizer que a crise foi mantida e jogada para o próximo mandato”, declarou o candidato. Renan associou a permanência dos ministros à necessidade de o próximo presidente enfrentar institucionalmente a Corte.
Polícia Federal e disputa no Supremo
Durante a entrevista, Renan foi informado sobre a decisão de André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal, para evitar possíveis interferências nas investigações em andamento. A medida ainda será analisada pela Segunda Turma do STF.
O candidato avaliou que Mendonça agiu corretamente e classificou a decisão como mais um elemento da disputa institucional no Supremo. Ele disse que aguardaria a reação de Moraes.
Intenções de voto
Pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda (9) colocou Renan numericamente em quarto lugar na corrida presidencial, com 4% das intenções de voto, empatado com Ronaldo Caiado. Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 39%, Flávio Bolsonaro tem 35% e Augusto Cury, 9%.
Renan contestou o resultado e disse não levar a pesquisa a sério, inclusive diante da informação de que 98% de seus votos seriam de homens. Para crescer, afirmou precisar conquistar eleitores mais velhos, embora reconheça que esse grupo concentra apoiadores fiéis de petistas e bolsonaristas.
O candidato também disse que sua estratégia no campo da direita será buscar eleitores antipetistas que hoje fazem voto útil em Flávio Bolsonaro. Na avaliação dele, bolsonaristas mais alinhados ao ex-presidente só poderiam apoiá-lo em um eventual segundo turno contra Lula.


