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Política

Vorcaro associa doações eleitorais de 2022 a permanência do Credcesta em SP

Em proposta de delação recusada, ex-banqueiro afirmou que valores destinados a Tarcísio e Bolsonaro seriam contrapartidas por acordo envolvendo Kassab.

Vorcaro diz que doações a Tarcísio e Bolsonaro em 2022 eram propina
Foto: Reprodução/Pablo Jacob/Governo do Estado de São Paulo/Breno Esaki/Metrópoles

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada, que as doações feitas em 2022 às campanhas de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro foram negociadas como propina. Do total de R$ 5 milhões, R$ 2 milhões teriam sido destinados à campanha do governador de São Paulo e R$ 3 milhões à do ex-presidente.

Naquele ano, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero, foi o maior doador dos dois políticos. Vorcaro declarou que os valores seriam contrapartidas financeiras relacionadas a um suposto ajuste com Gilberto Kassab para manter o Credcesta no governo paulista.

A proposta de delação foi recusada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Vorcaro pediu para depor ao gabinete do ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal, mas a tentativa foi negada pela terceira vez sob a justificativa de ausência de fatos novos.

O depoimento ocorreu na penitenciária da Papudinha, na última quinta-feira (27/8), e foi conduzido por João Azambuja, juiz auxiliar do gabinete de Mendonça. A oitiva teve a participação dos advogados Daniel Bialski e Engels Muniz e de um integrante do Ministério Público.

A versão apresentada por Vorcaro

Segundo o relato, Augusto Lima, sócio do banco responsável pelas articulações para expandir o Credcesta, tentou assegurar a continuidade do negócio com o governo de São Paulo diante da provável eleição de Tarcísio. O pagamento ligado à doação eleitoral teria sido inicialmente planejado em dinheiro.

Ainda de acordo com Vorcaro, Kassab ou seus interlocutores teriam informado a Lima que seria necessário cumprir compromissos com partidos parceiros e arrecadar recursos. Esses partidos, porém, aceitariam apenas doações oficiais.

Kassab negou a acusação e classificou o relato como fantasioso. O presidente do PSD afirmou que nunca tratou de doações com Lima ou Vorcaro, que não tem relação com o ex-banqueiro e que nunca recebeu valores em espécie. Também disse conhecer Lima e Thiago Botelho, mas negou ter discutido o Credcesta ou recebido doações de qualquer um deles.

A assessoria de Tarcísio declarou que a campanha de 2022 teve mais de 600 doadores, seguiu a legislação eleitoral e teve as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral. O governador afirmou não ter vínculo com Vorcaro nem conhecimento prévio de condutas atribuídas a terceiros.

A defesa de Augusto Lima não comentou o caso e classificou as informações como absurdas.

Credenciamento do Credcesta

A assessoria de Tarcísio afirmou que a PKL One Participações S.A., responsável pelo cartão Credcesta, foi credenciada como consignatária em maio de 2022, durante a gestão anterior. Segundo a nota, o credenciamento não é um contrato com o Estado nem envolve repasse de recursos públicos; trata-se de uma habilitação para que servidores escolham instituições autorizadas em operações consignadas.

O governo de São Paulo negou qualquer irregularidade ou favorecimento e disse que o credenciamento da PKL Credcesta é um ato vinculado. Pela explicação oficial, instituições que atendem aos requisitos objetivos previstos em lei devem receber a autorização.

A gestão Tarcísio informou que a PKL responde por 3,4% dos R$ 634 milhões movimentados em operações de consignado no Estado, o equivalente a R$ 21,5 milhões. Antes da liquidação pelo Banco Central, a participação havia chegado a 5,26%, ou R$ 33 milhões.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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