O ex-governador José Roberto Arruda (PSD) afirmou nesta quinta-feira (24) que deixará a disputa pelo Governo do Distrito Federal sem apresentar novo recurso à Justiça Eleitoral. Ele também declarou que não recomendará voto em nenhum dos candidatos que continuam na eleição e pediu aos eleitores que desconsiderem seu nome caso ele ainda apareça na urna eletrônica.
A decisão foi anunciada após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitar, por 5 votos a 2, o recurso apresentado pela defesa e manter o indeferimento do registro de candidatura. Com isso, a Justiça Eleitoral determinou a exclusão do nome de Arruda da urna e suspendeu o acesso a novos recursos públicos de campanha.
Decisão judicial e retirada da disputa
Arruda disse que consultou seus advogados antes de desistir de uma nova tentativa nos tribunais. Na avaliação dele, insistir no processo prolongaria a definição e poderia atrapalhar as eleições no Distrito Federal. “Então, o meu caminho se encerra aqui”, afirmou.
O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) já havia negado o registro em 3 de setembro. Por unanimidade, a Corte reconheceu a inelegibilidade do ex-governador até 2030. O julgamento considerou condenações por improbidade administrativa relacionadas à Operação Caixa de Pandora.
Durante a coletiva, Arruda sustentou que havia registrado a candidatura de acordo com a legislação e mencionou a existência de votos divergentes no julgamento do TSE. Ao mesmo tempo, declarou que respeita a decisão judicial.
Com a candidatura encerrada, o ex-governador orientou os eleitores a não escolherem seu nome, mesmo que sua foto permaneça na urna. Ele afirmou que os votos recebidos seriam considerados inválidos e pediu que cada eleitor escolha o candidato ou a candidata que considere mais preparado para governar Brasília.
Sem apoio a outro candidato
Questionado sobre uma possível transferência de apoio, Arruda disse que não fará recomendação eleitoral. Ele citou Paula Belmonte (PSDB), Kiko Caputo (PL), Ricardo Capelli (PSB) e Leandro Grass (PT), mas explicou que os elogios dirigidos aos quatro não equivalem a uma declaração de voto.
O ex-governador afirmou reconhecer nos candidatos a forma como vêm se comportando na eleição e a existência de projetos para Brasília, apesar de eventuais divergências. Também disse que não pretende usar sua manifestação para escolher um nome da disputa.
Recursos e despesas declaradas
A decisão do TSE também interrompe o acesso de Arruda a novos recursos públicos de campanha. Na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, a candidatura informou ter recebido R$ 3 milhões da direção nacional do PSD, além de R$ 175 mil de Ronaldo Fonseca de Souza, R$ 130 mil de Luiz Carlos Pietschmann e R$ 10 mil de Paulo Roberto Cardoso.
Do total de R$ 3,315 milhões arrecadados para a disputa pelo Governo do Distrito Federal, foram declaradas despesas de R$ 2,326 milhões. A maior parcela, R$ 1,321 milhão, correspondeu a atividades de mobilização de rua. Também foram registrados R$ 203 mil para criação e inclusão de páginas na internet, R$ 170 mil para impulsionamento de conteúdos, R$ 128 mil para materiais impressos e R$ 100 mil para serviços advocatícios.
Ao falar sobre os próximos passos, Arruda disse que pretende se afastar da disputa eleitoral e retomar a vida pessoal, acompanhando a política brasileira de fora.



