A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) lançou um minidocumentário que revisita a história da região marcada pela migração, pelas secas e pelas frentes de emergência. Com 10 minutos de duração, a produção ultrapassou 13 mil visualizações nos cinco primeiros dias e está disponível no canal da entidade no YouTube.
O filme acompanha o reencontro de dois primos com trajetórias diferentes: enquanto um permaneceu no Semiárido, o outro deixou a região ainda jovem. A partir desse diálogo, a produção aborda as condições que levaram milhares de pessoas a migrar e as mudanças associadas à criação de políticas públicas de convivência com o território.
Imagens de arquivo, algumas produzidas na década de 1970, são colocadas ao lado de registros atuais. O documentário mostra famílias enfrentando a falta de água e recorrendo às frentes de emergência como uma das poucas alternativas de sobrevivência. Depois, apresenta experiências de produção de alimentos, armazenamento de água e permanência das populações na região.
Cisternas e participação das mulheres
A criação das cisternas e sua incorporação às políticas públicas por meio do Programa Cisternas aparecem como marcos dessa transformação. A atuação das mulheres também é destacada. A trilha inclui um rap-repente composto especialmente para o filme pela artista pernambucana Jéssica Caitano.
A direção é de Uilma Queiroz, e a narração, de Odília Nunes. As duas, assim como Caitano, são artistas do Sertão pernambucano. Segundo Uilma, a equipe foi formada majoritariamente por profissionais do Semiárido por uma decisão deliberada: “quis que nossa equipe fosse formada majoritariamente por profissionais do Semiárido”.
Para Cícero Félix, diretor executivo da ASA, recuperar esse processo evidencia a participação da mobilização social na criação e no financiamento de políticas públicas. Ele afirma que o Semiárido passou por uma transformação após a luta pela convivência e alerta: “a gente não pode correr o risco de retrocesso”.
A entidade pretende levar o vídeo também às pessoas que migraram para outras partes do país, incluindo São Paulo e Brasília. O lançamento integra as ações da ASA para as Eleições 2026, junto à Carta Política da ASA para as Eleições 2026 e à campanha Voto pela Convivência com o Semiárido.
As iniciativas defendem a reeleição do presidente Lula (PT) e a continuidade de políticas de convivência associadas pela entidade aos governos do PT. Uilma afirma que o resgate histórico busca mostrar a jovens a importância atribuída pela produção aos governos Lula e Dilma e enfrentar narrativas de criminalização da esquerda no Brasil e no mundo.


