PEIXOTO DE AZEVEDO — O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, foi diagnosticado com câncer no aparelho digestivo e recebe cuidados paliativos. A informação foi divulgada pelo Instituto Raoni nesta segunda-feira (14). O tratamento passou a priorizar o controle dos sintomas e a qualidade de vida, após a avaliação de que cirurgia de maior porte e quimioterapia apresentariam riscos elevados diante da idade e de outros problemas de saúde.
O exame identificou um adenocarcinoma pouco diferenciado, tipo agressivo de câncer. Os primeiros sinais surgiram há alguns meses, com dores abdominais persistentes. Ao longo deste ano, Raoni passou por internações sucessivas, e exames apontaram uma alteração abaixo do fígado, sugestiva de tumor intestinal ou hepático em estágio avançado.
Internações e cirurgia
Em junho, o quadro se agravou com uma obstrução intestinal provocada pelo tumor. Raoni também teve desidratação, alterações renais, infecção e pneumonia aspirativa. Em razão disso, foi transferido em caráter de emergência de Mato Grosso para São Paulo.
No dia 20 daquele mês, ele foi submetido a uma cirurgia no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O procedimento criou uma nova passagem no sistema digestivo para contornar a área obstruída e permitir que o cacique voltasse a se alimentar.
Raoni recebeu alta em julho e retornou a Peixoto de Azevedo, onde passou a ser acompanhado em casa por profissionais de saúde. No fim do mesmo mês, voltou a ser internado depois de sofrer uma hemorragia digestiva e precisou receber transfusões de sangue.
Segundo o Instituto Raoni, a condição do cacique continua delicada e exige acompanhamento contínuo, com apoio da família, de equipes médicas e de pajés de sua confiança. O instituto também pediu respeito à privacidade, ao descanso e às decisões da família.
Conhecido internacionalmente por defender os povos indígenas e a Amazônia, Raoni dedica-se há quase sete décadas à proteção dos territórios, da floresta e dos direitos indígenas.


