O candidato Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, no encerramento de uma sabatina, que Cláudio Lottenberg será seu ministro da Saúde caso seja eleito. Para o cientista político Ronaldo Teodoro, a indicação revela uma proposta de ampliar a participação de empresas privadas na gestão e no financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
A avaliação é apresentada em artigo assinado por Teodoro, professor do Instituto de Medicina Social da UERJ. O autor associa Lottenberg a grupos empresariais da área da saúde e sustenta que sua eventual escolha para o ministério representaria a abertura do orçamento público a interesses privados.
Lottenberg vendeu, em 2016, sua rede de clínicas de oftalmologia, a Lotten Eyes, para a UnitedHealth Group. Depois da operação, tornou-se CEO e consultor estratégico sênior da corporação norte-americana. A empresa comprou 90% da operadora Amil por US$ 4,9 bilhões. Em 2023, a Amil foi revendida, os negócios entraram em crise e a UnitedHealth encerrou suas operações no Brasil.
A atuação no setor de saúde
O médico também presidiu o Instituto Coalizão Saúde (ICOS), entidade que reúne prestadores de serviços, operadoras de planos de saúde, empresas farmacêuticas e fabricantes de materiais e equipamentos. O artigo afirma que, a partir de 2016, o instituto passou a ter influência crescente na política de saúde durante o governo Temer.
Na interpretação de Teodoro, a principal diretriz defendida por Lottenberg no ICOS é ampliar as oportunidades de negócios privados dentro do SUS. O autor relaciona essa estratégia ao uso de parcerias público-privadas e à contratação de empresas para executar serviços de saúde.
O texto também questiona a linguagem usada pelo instituto para descrever suas propostas. Expressões como parceria com o SUS, conciliação entre os setores público e privado e segurança jurídica seriam, segundo o autor, formas de defender a reorganização de serviços públicos e contratos de modo a garantir maior estabilidade aos negócios privados.
Entre as propostas atribuídas ao ICOS está a expansão da contratação de empresas médicas para a prestação de serviços. Teodoro afirma que não identifica, no programa da entidade, medidas voltadas à valorização dos profissionais da saúde.
O artigo cita um estudo da UFMG, de 2024, segundo o qual cerca de 20 grandes empresários de organizações de saúde já administram quase 70% dos estabelecimentos públicos de saúde. Para o autor, a indicação de Lottenberg reforça a prioridade aos ganhos financeiros do setor, em detrimento das necessidades da população.
Teodoro conclui que a escolha anunciada por Flávio Bolsonaro representa um programa de ampliação dos negócios privados na saúde e de transformação do SUS conforme os interesses empresariais. O texto é um artigo de opinião, e a avaliação apresentada corresponde à visão do autor.



