SÃO PAULO — A Caixa Econômica Federal e representantes dos empregados retomam nesta quarta-feira (16) as negociações sobre o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), durante a greve nacional dos trabalhadores do banco. A paralisação permanece por tempo indeterminado, e as entidades sindicais afirmam que ela continuará até que uma proposta seja aceita pela categoria.
A reabertura da mesa ocorreu após pressão da Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), que havia enviado um ofício à Caixa pedindo a retomada das tratativas e a preservação dos direitos previstos no acordo enquanto as negociações estivessem em andamento.
O banco concordou com a ultratividade, mecanismo que mantém os direitos do ACT durante o período de negociação. A decisão mudou a posição anunciada após a rejeição da proposta anterior, quando a Caixa informou que deixaria de aplicar cláusulas e benefícios de acordos vencidos.
Entre as reivindicações dos empregados estão alterações nas regras do Super Caixa, o fim do atendimento simultâneo nas agências e melhores condições de trabalho. O principal impasse envolve o Saúde Caixa, plano de assistência à saúde dos funcionários.
Custeio do plano é ponto central
Os trabalhadores defendem que a Caixa volte a pagar 70% do custeio do plano, enquanto os empregados ficariam responsáveis por 30%. As entidades também rejeitam mudanças que, segundo elas, poderiam aumentar os custos para os beneficiários conforme a idade.
Para Sergio Takemoto, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), a retomada permite discutir alternativas para o plano diante das preocupações com os custos e a sustentabilidade do Saúde Caixa.
A greve começou no último dia 10, depois que os empregados rejeitaram a proposta de renovação do acordo coletivo. A Fenae informou que a rejeição ocorreu em 128 bases sindicais e que, em 93 delas, foi aprovada a paralisação por tempo indeterminado.
A Caixa apresentou uma nova proposta no primeiro dia da greve, mas ela também foi rejeitada em assembleias realizadas no dia seguinte. Em São Paulo, Osasco e região, o Sindicato dos Bancários informou que 268 dos 283 locais de trabalho foram fechados no domingo (14), cerca de 95% do total. Mais de 700 empregados participaram de um ato na Avenida Paulista, segundo a entidade.


