PORTO ALEGRE — Trabalhadores da Caixa Econômica Federal fazem uma caminhada pelo Centro de Porto Alegre nesta quarta-feira (16) para pressionar o banco por avanços nas negociações e uma nova proposta. A categoria está em greve desde quinta-feira (10).
Organizado pelo Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), o ato terá concentração às 10h, em frente ao Edifício Querência, sede da Caixa no Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega. O grupo deve passar pelas principais vias do Centro e retornar à praça, onde haverá almoço para os grevistas.
A mobilização ocorrerá simultaneamente à nova rodada de negociações entre a Caixa e os representantes dos trabalhadores, marcada para as 10h, em São Paulo. A paralisação é nacional e por tempo indeterminado, depois que a categoria rejeitou a proposta do banco para renovar o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico, que estabelece direitos e condições de trabalho na empresa.
Retomada das negociações
O Saúde Caixa, plano de saúde dos empregados, é um dos principais pontos de conflito. O sindicato afirma que a greve continuará até que uma nova proposta seja apresentada e aprovada em assembleias. “A Caixa precisa avançar nas negociações, atender às reivindicações da categoria e apresentar uma proposta decente, principalmente com relação ao Saúde Caixa”, afirmou o SindBancários.
A Caixa concordou em reabrir as conversas depois de uma mobilização nacional. Conforme o sindicato, o banco havia considerado sua proposta definitiva e ameaçado retirá-la para levar o caso à Justiça do Trabalho por meio de dissídio coletivo. No domingo (13), contudo, respondeu a um ofício da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e aceitou retomar as negociações.
A instituição também suspendeu medidas administrativas anunciadas anteriormente e informou que procuraria preservar os benefícios nas condições vigentes antes de 31 de agosto de 2026, enquanto as tratativas não terminassem. Para Sergio Takemoto, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), a retomada ocorreu por causa da mobilização dos trabalhadores e mostrou que a empresa reconheceu a importância do diálogo com as entidades representativas.
Na segunda-feira (14), centenas de trabalhadores fizeram um abraço simbólico no Edifício Querência em defesa do banco público e de uma proposta melhor. Gerentes-gerais também assinaram um documento enviado à direção da Caixa, no qual pediram respeito e diálogo e manifestaram apoio aos empregados. Em Brasília, trabalhadores realizaram um ato chamado de “Sepultamento simbólico da gestão de pessoas da Caixa”, com críticas à falta de diálogo e cobrança por valorização.
Reivindicações sobre o plano de saúde
Entre os pedidos está a retirada do limite de 6,5% da folha salarial para a contribuição da Caixa ao Saúde Caixa. Os trabalhadores também defendem a volta da divisão em que o banco arca com 70% das despesas e os empregados com 30%. Outra reivindicação é garantir a permanência no plano depois da aposentadoria para quem entrou na empresa após 2018.
A categoria ainda cobra a manutenção da solidariedade, do mutualismo e do pacto intergeracional, além de melhorias na gestão, na rede credenciada e no atendimento aos beneficiários. Segundo o SindBancários, as propostas da Caixa não respondem às demandas e elevam os custos para os trabalhadores, inclusive com critérios relacionados à idade.
Contratações e condições de trabalho
Os empregados também pedem mudanças nos programas de remuneração variável, incluindo o Super Caixa, revisão do plano de carreira e das funções, remuneração adequada e aumento do quadro de pessoal. Para o sindicato, a insuficiência de trabalhadores contribui para a sobrecarga nas unidades. A entidade também relata pressão por metas, cobranças excessivas, assédio e adoecimento e defende medidas para que a busca por resultados não afete a saúde dos empregados.
O SindBancários afirma que os trabalhadores mantêm o atendimento ao público, a execução de políticas públicas e o funcionamento da Caixa nas agências, áreas administrativas e demais setores. Em Porto Alegre, o piquete central da greve continua diariamente na Praça da Alfândega, em frente ao Edifício Querência.



