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Caso Master amplia questionamentos sobre sigilo e critérios nas investigações

Relações de Daniel Vorcaro com autoridades e decisões de André Mendonça colocam em debate a isonomia das apurações.

Caso Master amplia questionamentos sobre sigilo e critérios nas investigações

As investigações relacionadas ao Banco Master passaram a envolver, além das suspeitas financeiras, questionamentos sobre a forma como diferentes personagens são tratados pelas instituições. O centro do debate é a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator de parte dos procedimentos, e a divulgação de informações envolvendo Alexandre de Moraes.

Mendonça determinou a retirada do sigilo de dados que atingem Moraes, adversário declarado do bolsonarismo. Ao mesmo tempo, relatórios atribuídos à Polícia Federal indicaram que suspeitas relacionadas a Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques não teriam recebido o mesmo encaminhamento. A PF também apontou possível interferência do relator no trabalho investigativo e diferença de tratamento conforme o posicionamento político dos investigados. A Procuradoria-Geral da República questionou procedimentos adotados pelo ministro.

Relações de Mendonça com o Instituto Iter

As dúvidas sobre a conduta do ministro também se relacionam ao Instituto Iter, fundado por ele e no qual figurava como sócio ao lado da esposa. Segundo levantamento citado no artigo, a organização recebeu R$ 8,2 milhões em recursos públicos por meio de 52 contratos sem licitação em pouco mais de dois anos. O instituto afirma que as contratações seguiram a legislação, enquanto Mendonça declara não ter recebido lucros.

O ministro também recebeu Daniel Vorcaro na sede do Iter, em março de 2025. O encontro não aparecia na agenda oficial. Mendonça afirmou que a conversa tratou de precatórios, e não da crise do Banco Master. Depois que a reunião e os contratos foram divulgados, ele anunciou sua saída da sociedade.

Outro ponto de comparação é a investigação sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência em favor de empresas interessadas em negócios com o governo federal. A defesa nega irregularidades. As informações disponíveis não demonstraram que os contratos pretendidos tenham sido assinados ou que dinheiro público tenha sido liberado por causa da suposta atuação, mas o crime investigado não depende necessariamente desses resultados.

Mendonça autorizou diligências e solicitou acesso integral aos dados obtidos com a quebra do sigilo de Lulinha. Um relatório da PF teria apontado padrões probatórios diferentes entre esse caso e uma apuração envolvendo ACM Neto. Luiz Inácio Lula da Silva declarou que não interferiria no trabalho policial e que qualquer pessoa responsável por ilegalidade deveria responder como os demais cidadãos. Ao comentar o caso Master, também defendeu a investigação de todos e cobrou uma resposta do STF e da PGR.

O financiamento de Dark Horse

As apurações alcançam ainda o financiamento de Dark Horse, filme concebido para promover a trajetória política de Jair Bolsonaro. Áudios e mensagens atribuídos a Flávio Bolsonaro mostram cobranças a Vorcaro sobre pagamentos destinados ao projeto. O senador negou inicialmente a relação e depois reconheceu que havia mentido, justificando a primeira versão com uma cláusula de confidencialidade que não apresentou publicamente.

Cerca de R$ 61 milhões teriam sido repassados, enquanto as negociações poderiam chegar a aproximadamente R$ 134 milhões. Permanecem sem esclarecimento o percurso dos recursos, o orçamento efetivo, os destinatários finais e a justificativa econômica do investimento. Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou ter operado repasses ligados ao fundo responsável pelo filme após firmar acordo de colaboração com a PGR.

A produtora, Flávio Bolsonaro e Mário Frias, produtor executivo, apresentaram versões divergentes em alguns pontos. Frias também alterou sua versão após a divulgação de áudios. O caso permaneceu sob sigilo enquanto informações prejudiciais a Moraes e a integrantes do governo se tornaram públicas. Parlamentares de PT, PCdoB, Psol e Rede pediram ao STF a retirada do sigilo e a troca do relator.

A rede de contatos de Vorcaro

A Polícia Federal apura se Ciro Nogueira recebeu ao menos R$ 6 milhões em pagamentos mensais entre 2024 e 2025 e se atuou em favor de interesses do Banco Master no Congresso. O senador tem direito à defesa.

Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Bolsonaro, aparece em mensagens como interlocutor de Vorcaro com autoridades de Brasília. Os registros indicam compartilhamento de contatos, organização de aproximações e articulação de encontros. Conversas extraídas do celular do banqueiro também mencionam a presença de políticos e ministros em festas patrocinadas por ele, além de referências a mulheres que participariam dos eventos.

Nikolas Ferreira admitiu contatos com Vorcaro e o uso de uma aeronave, mas negou recebimento de dinheiro ou irregularidades. Um áudio divulgado mostra o deputado chamando o banqueiro de “Dani” e “lindão” e pedindo ajuda para destravar um ativo minerário ligado a um amigo e ex-assessor. Vorcaro afirmou, em mensagens, ter custeado voos usados por Nikolas durante a campanha de 2022.

Em uma proposta de delação, Vorcaro associou doações de R$ 5 milhões para campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas a uma suposta contrapartida relacionada ao Credcesta, intermediada por Gilberto Kassab. A PF e a PGR rejeitaram versões da proposta por falta de elementos novos e comprovação. Kassab e Tarcísio negam as acusações.

As informações reunidas envolvem ministros, parlamentares, empresários e integrantes dos governos federal e estaduais. A existência de suspeitas ou de relatos em mensagens não equivale à comprovação de crimes. A defesa dos investigados e o devido processo legal devem ser preservados, enquanto os fluxos financeiros e as relações de Vorcaro são submetidos à apuração institucional.

O debate sobre o caso está, portanto, ligado aos critérios de sigilo, à divulgação de informações e à uniformidade das decisões. A retirada do segredo em alguns procedimentos e sua manutenção em outros é questionada por parlamentares e pelos elementos atribuídos à PF. A discussão não elimina a necessidade de investigar Moraes, Mendonça, Lulinha, integrantes da família Bolsonaro ou qualquer outro envolvido, mas coloca em foco a exigência de que os mesmos parâmetros sejam aplicados a todos.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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