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Daniel Cara critica modelo cívico-militar defendido por Ronaldo Caiado

Professor da Faculdade de Educação da USP afirma que a proposta confunde disciplina com autoritarismo e critica a evasão em São Paulo.

A proposta de escolas cívico-militares voltou ao debate público com a campanha presidencial de Ronaldo Caiado (PSD). Para Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), o modelo apresentado pelo candidato associa disciplina a autoritarismo e recorre à intimidação dos estudantes.

“O problema é confundir disciplina com autoritarismo”, afirmou Cara. Segundo ele, a disciplina é necessária nas atividades humanas, mas a concepção defendida por Caiado teria caráter autoritário. O professor também classificou o candidato como integrante da extrema direita.

Investimento e participação dos estudantes

Cara reconheceu que, em muitos casos, a estrutura dessas escolas chama a atenção das famílias pela qualidade. A explicação, segundo ele, está no volume maior de recursos e na atenção dedicada à gestão. O professor, porém, afirmou que esse investimento não se traduz necessariamente em uma educação voltada à autonomia dos alunos.

Na avaliação de Cara, as escolas cívico-militares promovem doutrinação e restringem a voz dos estudantes, sem estimular que eles pensem, criem e desenvolvam uma posição própria. Ele contrapôs esse modelo ao debate educacional associado a Paulo Freire e disse que a aparência de qualidade não significa que o projeto cumpra uma função educativa.

Para o professor, a proposta substitui a educação por intimidação e por uma disciplina autoritária. A preferência de parte das famílias por esse formato, afirmou, também pode estar relacionada à falta de acesso a um projeto educacional de qualidade.

Evasão na rede estadual paulista

Cara também comentou dados sobre a rede estadual de educação de São Paulo durante o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Entre 2024 e 2025, o estado perdeu mais de 256 mil estudantes. A redução foi maior no ensino médio, especialmente no último ano, que registrou destaque nos índices de abandono escolar.

O professor contestou o uso do termo abandono para descrever a saída de alunos no terceiro ano do ensino médio. Na avaliação dele, a expressão mais adequada seria exclusão, porque o problema não deve ser tratado apenas como uma decisão individual. Ele atribuiu a situação à qualidade das escolas e à ausência de políticas de permanência.

Cara também criticou a atuação do governo estadual em relação ao ensino médio noturno, afirmando que as medidas desconsideram a realidade dos jovens.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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