As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da Assembleia Geral da ONU tiveram repercussão internacional, mas devem exercer pouca influência sobre as eleições de outubro. A avaliação é da cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para quem assuntos internacionais costumam ter impacto limitado na dinâmica eleitoral.
Na análise da especialista, a economia concentra os temas com maior capacidade de alcançar a maioria da população. Questões morais, especialmente as relacionadas à família, também ganharam espaço, enquanto a segurança pública passou a influenciar de forma mais ampla a disputa eleitoral. Goulart observa que, antes, esse último assunto afetava principalmente as eleições estaduais.
Ainda assim, a professora considerou relevante a posição apresentada por Lula no discurso, com defesa da soberania e da democracia. Para ela, a manifestação evidenciou a distância entre o presidente e a extrema direita associada ao bolsonarismo no Brasil. Em determinado momento, Lula afirmou que o país enfrentava “uma escolha entre a democracia e a barbárie”.
Goulart também relacionou a ascensão da extrema direita a uma ameaça aos princípios políticos e sociais associados à Revolução Francesa, como os direitos humanos, a igualdade e a liberdade individual. Segundo ela, esses valores, organizados em um Estado democrático de direito, ficam sob pressão diante da extrema direita global.
Pesquisa eleitoral
Sobre a pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (21), que aponta Lula à frente de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno e em empate técnico no segundo, a cientista política afirmou que o conflito envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda produz efeitos sobre o presidente, embora não tenha alcançado o resultado esperado.
Para Goulart, a menção ao STF é mobilizada pela extrema direita como um sinal de identificação política. Ela acrescentou que esse mecanismo também aparece em outros lugares onde existem instituições criadas para conter extremismos, o que, em sua avaliação, representa um obstáculo para esse campo político.


