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Entidades defendem contexto histórico do diário de Anne Frank após vídeo viral

Museu do Holocausto, Instituto Brasil-Israel e Fisesp reagiram à avaliação de uma jovem sobre o livro escrito durante a perseguição nazista.

Entidades defendem contexto histórico do diário de Anne Frank após vídeo viral
Foto: Reprodução/Anne Frank House

Um vídeo gravado durante a Bienal do Livro de São Paulo provocou reações de entidades ligadas à preservação da memória do Holocausto depois que uma jovem classificou o “Diário de Anne Frank” como o pior livro que havia lido no ano. Ao explicar a escolha, ela afirmou que Anne Frank “se vitimiza”.

A jovem havia indicado “Além do Bem e do Mal” (1886), de Friedrich Nietzsche, como sua melhor leitura. A entrevista foi feita por uma criadora de conteúdo do TikTok e se espalhou nas redes sociais, onde o comentário foi discutido por leitores e historiadores.

Reações das entidades

O Museu do Holocausto divulgou uma nota nesta semana para ressaltar o contexto em que o diário foi produzido. A instituição afirmou que a obra é o registro de uma adolescente submetida à perseguição nazista e que relatar uma experiência de sofrimento não equivale a transformar essa experiência em identidade.

O museu também rejeitou a expectativa de que relatos de vítimas apresentem uma narrativa idealizada ou sempre inspiradora. Na avaliação da instituição, um diário pode registrar medo, raiva, tédio, contradições, conflitos familiares, desejos e vontade de viver. “A vítima não deve ao leitor uma narrativa confortável”, declarou.

O Instituto Brasil-Israel publicou o texto “Anne Frank na Bienal: a distância que uma opinião não percorre”. A entidade relacionou a repercussão do vídeo à dificuldade de compreender a experiência histórica registrada no diário. Para o historiador Schurster, a discussão não está no direito de alguém não gostar de um livro, mas na justificativa apresentada e na interpretação dada à expressão atribuída a Anne Frank.

A Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) também se manifestou. A entidade destacou o contraste entre a situação de uma menina judia escondida e perseguida, que escrevia sobre esperança, e a leitura posterior de sua história como “vitimismo”. Para a federação, a permanência desse debate reforça a necessidade de continuar falando sobre Anne Frank.

A história de Anne Frank

Anne Frank nasceu em 12 de junho de 1929, em Frankfurt, na Alemanha. Judaica, mudou-se com a família para Amsterdã depois da ascensão de Adolf Hitler e do regime nazista.

Com a ocupação nazista da Holanda e o avanço da perseguição aos judeus durante a 2ª Guerra Mundial, Anne e outras sete pessoas passaram a se esconder, em julho de 1942, no chamado Anexo Secreto, espaço ligado à empresa de seu pai. Ela recebeu o diário no aniversário de 13 anos e registrou nele a rotina, os sentimentos, os pensamentos e as experiências do período em que permaneceu escondida.

O esconderijo foi descoberto em 4 de agosto de 1944. Anne e os demais ocupantes foram presos e deportados para Auschwitz-Birkenau. No fim daquele ano, Anne e sua irmã Margot foram levadas para Bergen-Belsen. As duas morreram em fevereiro de 1945, aos 15 anos no caso de Anne, em consequência do tifo.

Otto Frank, pai de Anne, foi o único ocupante do Anexo Secreto a sobreviver à guerra. Depois do conflito, encontrou o diário da filha e realizou o desejo dela de publicá-lo. O livro saiu em 25 de junho de 1947 e foi traduzido para dezenas de idiomas. O esconderijo onde a família viveu abriga atualmente a Casa de Anne Frank, um museu em Amsterdã.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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