SAXÔNIA-ANHALT — A vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) na eleição estadual de Saxônia-Anhalt, no leste do país, provocou a reação de Eva Umlauf, sobrevivente de Auschwitz. O resultado de domingo (6) deixou o partido de extrema direita a um passo de chegar ao poder em um estado alemão pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Umlauf tinha dois anos quando foi libertada do campo de extermínio nazista, em janeiro de 1945, junto com a mãe. Hoje, a pediatra e psicoterapeuta nascida na Eslováquia vive em Munique, visita escolas para falar sobre o Holocausto e preside o Comitê Internacional de Auschwitz.
“Eu esperava por isso e, mesmo assim, estou chocada”, disse Umlauf. Ela também afirmou estar triste e declarou não saber o que leva as pessoas a votar na AfD. Para a sobrevivente, o avanço do partido representa uma ameaça às minorias e aos estrangeiros: “Estamos com medo.”
A preocupação ocorre em meio ao crescimento da extrema direita indicado por pesquisas de opinião em Saxônia-Anhalt, Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Eleições nesses dois últimos locais estão marcadas para 20 de setembro.
Fundada em 2013 como uma legenda eurocética durante a crise da zona do euro, a AfD rejeita comparações com o Partido Nazista, responsável pelo Holocausto que matou cerca de 6 milhões de judeus, além de ciganos, homossexuais e outros grupos.
A legenda defende restringir a imigração, principalmente de países que considera culturalmente estranhos à Alemanha. Também propõe a saída do euro e a retomada de relações com a Rússia para reduzir os preços da energia. O partido afirma que suas políticas expressam ideias compartilhadas por milhões de alemães e nega ser antissemita. Em resposta às críticas, acusa partidos tradicionais de usar essas acusações para silenciar a oposição.


