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AfD processará Friedrich Merz após acusação de “limpeza étnica”

Partido alemão de extrema direita afirma que declaração do primeiro-ministro sobre a remigração configura difamação.

AfD processará Friedrich Merz após acusação de “limpeza étnica”

A AfD, partido de extrema direita da Alemanha, anunciou que processará Friedrich Merz por difamação depois de o primeiro-ministro acusar a legenda de defender uma política de “limpeza étnica”. A declaração ocorreu durante um debate sobre o Orçamento no Bundestag, o Parlamento federal alemão, na quarta-feira (9).

Merz associou a proposta de remigração — termo usado pela AfD para sua política migratória — à expulsão de pessoas com base na cor da pele e na origem. Também afirmou que a aplicação da medida comprometeria setores dependentes do trabalho de imigrantes, como casas de repouso, hospitais e restaurantes.

O que está em disputa

Stephan Brandner, secretário-geral da AfD em Berlim, classificou as declarações como “totalmente inaceitáveis” e afirmou que elas poderiam ter relevância criminal. O grupo parlamentar da legenda no Bundestag sustenta que permanece alinhado à Constituição e que a remigração atingiria apenas imigrantes ilegais.

A interpretação é contestada pelo Escritório Federal de Proteção à Constituição, que classifica a AfD como partido de extrema direita comprovada. Para o órgão, a remigração é um conceito voltado à criação de sociedades definidas por critérios étnicos e à expulsão de estrangeiros.

O termo foi incorporado aos discursos da AfD no ano passado e passou a aparecer nos programas de governo da legenda nas eleições estaduais em curso. Na quinta-feira, Ulrich Siegmund, principal nome do partido em Saxônia-Anhalt e cotado para assumir o governo estadual, defendeu a instalação de uma unidade da empresa israelense de armamentos Elbit. Ao justificar o apoio à produção de armas, relacionou os recursos à futura política de remigração e deportação.

A declaração provocou reação inclusive entre políticos da BSW, partido populista de esquerda que considera compor ou colaborar com um eventual governo estadual da AfD.

Avanço eleitoral e debate sobre banimento

A reação de Merz ocorreu depois do desempenho da AfD na eleição de Saxônia-Anhalt. No domingo (6), o partido recebeu quase 44% dos votos e conquistou 39 cadeiras no Parlamento estadual, ficando a três de alcançar maioria. O resultado foi o maior da extrema direita alemã desde a Segunda Guerra Mundial.

Além da remigração e de pautas conservadoras, a AfD defende a saída da União Europeia, a retomada do marco alemão e uma reaproximação com a Rússia. O avanço eleitoral reacendeu a discussão sobre a possibilidade de banir a legenda. Hendrik Wüst, governador da Renânia do Norte-Vestfália e apontado como possível substituto de Merz em caso de agravamento de sua impopularidade, declarou apoio à proibição.

Integrantes da AfD também são investigados por discurso de ódio e neonazismo. Brandner, responsável pelo anúncio do processo contra Merz, teve a imunidade parlamentar suspensa nesta semana em uma acusação de injúria contra uma jornalista.

Especialistas avaliam que o banimento enfrentaria dificuldades jurídicas e poderia ampliar a popularidade da legenda. Pesquisas indicam que a AfD teria 28% dos votos se a eleição federal prevista para 2029 ocorresse agora. Ao menos 20 cidades alemãs receberão, neste fim de semana, manifestações contra a ascensão do partido, organizadas por ativistas e grupos de defesa da democracia.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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