BERLIM — O chanceler alemão, Friedrich Merz, acusou nesta quarta-feira (9) a AfD (Alternativa para a Alemanha) de defender uma política de “remigração” que equivaleria a limpeza étnica. A declaração foi feita no Parlamento, três dias depois de o partido de extrema direita vencer as eleições legislativas em Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha.
Dirigindo-se aos parlamentares da AfD, Merz afirmou que a política defendida pelo grupo teria como base a cor da pele e a origem. O chanceler também classificou Alice Weidel, líder da legenda no Parlamento, como uma “força destrutiva”.
A AfD respondeu, em um email, que Merz distorce deliberadamente suas posições para demonizar o partido. A legenda declarou ainda que as políticas que defende são legais.
Merz é filiado à União Democrata Cristã (CDU), de centro-direita, derrotada pela AfD na eleição estadual. O resultado abriu a possibilidade de Ulrich Siegmund, líder da AfD no território, assumir o governo de Saxônia-Anhalt. Para isso, porém, ele depende de negociações no Parlamento estadual, pois não obteve maioria absoluta.
O chanceler também acusou a AfD de colocar os interesses da Rússia acima dos interesses alemães. O partido defende uma reaproximação diplomática e econômica entre Berlim e Moscou, apesar da guerra na Ucrânia, que sofre agressões de tropas russas desde fevereiro de 2022.
Reação de Trump e adiamento de ligação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comemorou nas redes sociais o desempenho da AfD em Saxônia-Anhalt. Ele atribuiu a vitória às leis de imigração em vigor na Alemanha e disse que os alemães teriam se cansado das regras e regulamentações migratórias do país.
Na mesma quarta-feira (9), Stefan Kornelius, porta-voz-chefe de Merz, evitou comentar diretamente a publicação de Trump. Ele informou, contudo, que o governo alemão adiou uma ligação entre os dois líderes que marcaria o aniversário de 25 anos dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.
“O lado alemão adiou essa ligação hoje. Ainda não foi definida uma nova data”, afirmou Kornelius, sem informar os motivos da decisão.
Alemanha e Estados Unidos são tradicionalmente aliados próximos, mas mantêm divergências desde o início do segundo mandato de Trump na Casa Branca. Entre os pontos de conflito estão as tarifas impostas pelo governo americano, a guerra de Washington contra o Irã e o apoio à Ucrânia no conflito com a Rússia.


