MAGDEBURGO — A Alternativa para a Alemanha (AfD) lidera as projeções para o Parlamento estadual de Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, com 44% dos votos. O resultado, ainda baseado em pesquisas de boca de urna, pode permitir que o partido indique Ulrich Siegmund para o cargo de governador, mas isso dependerá da quantidade de legendas que superar a cláusula de barreira de 5% e da composição da Casa.
A votação deste domingo (6) ocorreu sem grandes incidentes. Em Magdeburgo, capital do estado, havia mais policiais do que manifestantes em vários protestos programados. Também foi registrada uma pequena altercação entre militantes da AfD e integrantes de movimentos sociais, interrompida pela chegada de dois policiais.
A participação eleitoral foi elevada. Duas horas antes do fechamento das urnas, o comparecimento havia passado de 65%, ante 41% no pleito de 2021.
Disputa pela formação do governo
Alice Weidel, colíder da AfD, afirmou antes da consolidação da apuração que o partido havia recebido um “mandato claro” e que abriria diálogo com outras legendas. Franziska Hoppermann, secretária-geral da CDU, respondeu que “Não trabalhamos com partidos extremistas”.
As projeções atribuem 18,5% à CDU, partido do primeiro-ministro Friedrich Merz e do atual governador, Sven Schulz. A Esquerda teria 9,5%, enquanto Verdes e sociais-democratas do SPD alcançariam 9% e 8%, respectivamente. Ainda havia dúvida sobre a passagem do BWM pela cláusula de barreira; a legenda havia discutido a possibilidade de formar um governo com a AfD.
Mesmo com setores conservadores defendendo essa hipótese, a alternativa considerada mais provável para a CDU era um governo de minoria, apoiado pontualmente por A Esquerda. Esse tipo de arranjo é proibido por uma resolução do partido, mas já existe em outros estados alemães.
Uma eventual eleição de Siegmund seria inédita na Alemanha desde a Segunda Guerra. Sua campanha combinou mensagens populistas no TikTok com referências afetivas à antiga Alemanha Oriental. O político ganhou espaço na AfD durante a pandemia, quando se tornou conhecido por críticas às restrições impostas pelo governo.
Criada por economistas em 2013, durante a crise do euro, a AfD ampliou sua presença com posições contra a imigração e críticas a pautas ligadas ao ambientalismo, à transição energética e aos direitos de minorias. O partido também se beneficiou da reação à política de portas abertas adotada por Angela Merkel em 2015 e, até o momento, mantém um discurso sem amenização, segundo a descrição de sua trajetória política.


