Estudantes do Instituto de Artes (IdA) da Universidade de Brasília (UnB) voltaram a pintar os muros do departamento nesta terça-feira (29), depois que o espaço foi coberto de branco em uma ação atribuída ao candidato de extrema direita a deputado federal Wilker Leão, do Novo. Foi a segunda mobilização semelhante em um intervalo de um mês.
A atividade, chamada pelos participantes de “pintasso”, reuniu alunos de diferentes cursos para reconstruir as manifestações artísticas apagadas. Leão foi preso em flagrante no domingo (27), após pintar sem autorização o prédio do IdA.
Marie de Queiroga, presidente do Centro Acadêmico de Artes Visuais (Cavis/UnB), afirmou que os estudantes pretendem continuar usando as paredes como espaço de expressão. Ela disse que a Reitoria autorizou a utilização do local e que o grafite é reconhecido pelos alunos como parte da arte e da cultura do departamento.
Relatos de agressão
Após a prisão de Leão, apoiadores do candidato agrediram com socos e chutes estudantes que estavam no local. A reitora da UnB, Rozana Naves, informou que os alunos feridos foram levados ao Instituto Médico Legal para exames de corpo de delito e receberam acompanhamento da gestão da universidade.
Akim Borges, estudante de Artes Visuais, relatou ter sofrido agressões físicas e ofensas racistas. Segundo ele, foram registrados boletins de ocorrência e realizados exames. Para Borges, o episódio faz parte de uma discussão mais ampla sobre a legitimidade das manifestações artísticas no departamento, e não apenas sobre a decisão de manter as paredes brancas ou coloridas.
Rodrigo Pirani, estudante de Ciências Ambientais, participou da mobilização em apoio aos alunos de Artes Visuais. Ele avaliou que a universidade pertence a todos os estudantes e defendeu o apoio de outros cursos ao movimento.
Histórico de disputas
De acordo com Marie de Queiroga, as paredes do IdA são pintadas desde a década de 1980. A partir de 2019, o grafite passou a ser reconhecido institucionalmente como parte da cultura do departamento, interrompendo a prática de apagar as pinturas.
A Universidade de Brasília informou que adotará medidas administrativas e judiciais contra os responsáveis e classificou como inadmissíveis intervenções sem autorização no patrimônio público. Em nota divulgada no domingo (27), a instituição também repudiou os atos de violência e defendeu a união da comunidade universitária.
A universidade já havia enfrentado uma ação semelhante em 26 de agosto, quando Leão e apoiadores tentaram pintar de branco os muros do IdA. Professores se anteciparam e fizeram a pintura antes da chegada do grupo. No dia 27 de agosto, os estudantes repintaram o muro.
Alice Paulino, coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes da UnB, afirmou que os ataques se intensificaram desde o ano passado. Marie de Queiroga disse que houve quatro ataques às paredes nos últimos dois meses, com sucessivas pinturas de branco e repinturas feitas pelos estudantes.


