Uma trend que transforma fotos atuais em imagens inspiradas nos anos 80 trouxe à tona riscos relacionados ao uso da inteligência artificial. Ao enviar uma fotografia para esse tipo de serviço, o usuário pode fornecer mais do que um registro visual: a imagem pode ser processada, armazenada e analisada pela empresa responsável pela ferramenta, conforme as regras de privacidade da plataforma.
Eliney Sabino, coordenador dos Cursos de Tecnologia da UnifacenS e especialista em inteligência artificial, afirma que o arquivo pode ser enviado a servidores, mantido temporariamente, incluído em registros de segurança ou armazenado por um período previsto na política de privacidade. Por isso, ele recomenda verificar as condições de armazenamento, treinamento dos sistemas e compartilhamento com terceiros antes de fazer o envio.
Informações que uma foto pode revelar
Uma fotografia pode conter elementos capazes de expor a rotina e o ambiente do usuário. Ferramentas de IA conseguem analisar rostos, expressões, objetos, textos, crachás, placas, uniformes e outros detalhes. O próprio arquivo pode guardar metadados, como data, horário e modelo do aparelho.
A imagem também pode indicar onde alguém mora ou trabalha, qual escola uma criança frequenta e quais bens existem dentro de uma residência. Quando combinada com informações publicadas nas redes sociais, ela pode ajudar na criação de identidades falsas mais convincentes.
Fotos de boa qualidade ainda podem ser usadas para produzir imagens e vídeos falsos, conhecidos como deepfakes. Essas falsificações podem servir para espalhar informações falsas, prejudicar reputações, criar perfis falsos, aplicar golpes e produzir conteúdo íntimo sem autorização.
Luiz Guilherme Zainaghi, advogado e docente da Faculdade do Comércio da Associação Comercial de São Paulo, chama atenção para os termos de uso. Segundo ele, esses documentos podem permitir que a empresa tenha acesso às imagens enviadas, conforme as regras do serviço. Em caso de vazamento, as fotografias e as informações obtidas podem ser usadas por criminosos.
O risco também está presente em redes sociais e outros serviços digitais que concentram dados pessoais. Zainaghi afirma que a chance de um incidente pode ser razoavelmente baixa, mas existe, especialmente quando estão envolvidos dados sensíveis, como informações médicas, financeiras ou profissionais.
Cuidados antes de enviar imagens
Os especialistas não recomendam abandonar o uso da inteligência artificial. A orientação é verificar a política de privacidade e evitar fotos que mostrem documentos, crachás, endereços, crianças ou informações íntimas. Também é importante considerar o que a imagem poderia revelar caso deixasse de estar sob controle do usuário.
Para Sabino, se a divulgação puder causar constrangimento, prejuízo ou colocar alguém em risco, o mais seguro é não enviar a foto. A mesma tecnologia que transforma uma imagem por diversão pode ampliar a exposição de dados e facilitar falsificações.



