O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (25) uma nova modalidade do Desenrola, voltada à redução de até R$ 150 bilhões em dívidas de famílias brasileiras. A estimativa é de que a iniciativa custe aproximadamente R$ 15 bilhões à União.
A proposta prevê que o governo federal compre, com desconto, carteiras de crédito inadimplidas de instituições financeiras. O abatimento obtido nessa operação será repassado diretamente aos devedores, com redução de pelo menos 90% nas dívidas incluídas no programa.
Quais dívidas podem entrar
Serão consideradas dívidas de até R$ 10 mil, com atraso de aproximadamente dois a quatro anos e meio. O foco estará em débitos de cartão de crédito e de crédito pessoal sem consignação em folha. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, essas modalidades concentram taxas elevadas e têm peso relevante no endividamento das famílias.
O estoque potencial de dívidas elegíveis é estimado em R$ 300 bilhões. A previsão do governo é alcançar cerca de metade desse montante, o equivalente a até R$ 150 bilhões.
A mecânica será diferente da adotada nas versões anteriores do Desenrola. Em vez de cada devedor procurar individualmente a instituição financeira para renegociar, a União pretende comprar diretamente as carteiras de dívidas dos bancos.
Custo estimado
O governo calcula que poderá adquirir essas carteiras com desconto de pelo menos 90%. Com a compra de R$ 150 bilhões em dívidas, o desembolso estimado seria de aproximadamente R$ 15 bilhões.
Moretti afirmou que carteiras desse tipo já são negociadas no mercado com descontos de 90% a 95%, porque reúnem dívidas consideradas de difícil recuperação pelas instituições financeiras. A diferença obtida na compra será usada para reduzir o valor devido pelas famílias participantes.



