RIO DE JANEIRO — Durante debate entre candidatos ao Senado pelo Rio de Janeiro, Carlos Jordy (PL) defendeu a proibição das bets e dos jogos de azar no país. A posição contrasta com a atuação de parlamentares do próprio partido no Congresso, que participaram de articulações para reduzir a tributação das casas de apostas e apoiaram medidas que dificultaram a aprovação de regras fiscais para o setor.
Em outubro de 2025, uma medida que previa a manutenção do aumento da tributação foi retirada da pauta por 251 votos a 193 e perdeu validade sem ser votada. O episódio resultou em uma frustração de receitas públicas estimada em mais de R$ 30 bilhões.
Também participaram do debate Marcelo Crivella (Republicanos), Marcos Dias (Podemos) e Pedro Paulo (PSD). Os candidatos discutiram trabalho e emprego, emendas parlamentares, segurança pública, saúde e ciência e tecnologia.
No tema do trabalho, Pedro Paulo propôs substituir a escala 6×1 pela 5×2 e criar mecanismos de proteção social para trabalhadores de aplicativos, com previdência por meio do cadastro de microempreendedor individual e seguros contra acidentes. Jordy defendeu benefícios fiscais para empresas que investirem na qualificação profissional de jovens desempregados.
Crivella associou a geração de empregos à revisão dos critérios do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Na avaliação dele, o Rio de Janeiro é prejudicado pelo cálculo baseado na renda per capita em razão da desigualdade no estado. Marcos Dias criticou o uso de programas sociais como instrumentos de dependência eleitoral e defendeu maior rigor na concessão de incentivos e renúncias fiscais.
Os quatro candidatos concordaram com o fim da chamada Emenda Pix, mas divergiram sobre a destinação e o controle das verbas. Jordy, que defendeu as emendas, afirmou que recursos impositivos poderiam ser usados na compra de blindados, armamentos e equipamentos para exames itinerantes no interior do estado. Pedro Paulo citou uma proposta de emenda constitucional sobre transparência orçamentária e defendeu a distribuição equilibrada dos recursos entre os 92 municípios fluminenses. Marcos Dias cobrou critérios mais rígidos para a aplicação das verbas, enquanto Crivella criticou a burocracia e defendeu a regulamentação das emendas Pix.
Na educação, Jordy e Crivella elogiaram a produção acadêmica nas engenharias, mas criticaram o que consideram um viés ideológico à esquerda. Crivella defendeu punições para greves, fiscalização da opinião dos professores e mudança no processo de escolha de reitores. Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que 75% dos professores da educação básica temem consequências profissionais caso suas decisões contrariem interesses políticos.



