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Laqueaduras superam vasectomias e expõem desigualdade no planejamento familiar

Dados do Observatório do Planejamento Familiar mostram que a esterilização feminina continua sendo mais frequente no Brasil, apesar de mudanças na lei.

Laqueaduras superam vasectomias e expõem desigualdade no planejamento familiar

A esterilização feminina continua muito mais frequente que a masculina no Brasil, mesmo após mudanças legais destinadas a ampliar o acesso aos procedimentos. No ano passado, foram registradas cerca de 118 laqueaduras para cada 100 mil mulheres acima dos 15 anos, enquanto a taxa de vasectomias ficou em menos de 45 para cada 100 mil homens.

Os dados são do Observatório do Planejamento Familiar, ligado ao Instituto Planejamento Familiar. A Lei nº 14.443, aprovada em 2022, eliminou a necessidade de autorização do cônjuge para laqueaduras e vasectomias, reduziu a idade mínima para os procedimentos e permitiu a realização da laqueadura logo após o parto. Ainda assim, a responsabilidade pela decisão de não ter mais filhos permanece concentrada nas mulheres.

“A contracepção não deve ser vista como uma responsabilidade exclusivamente feminina”, afirma Ana Clara Carvalho, advogada e cofundadora do Instituto Planejamento Familiar. Para ela, homens e mulheres devem receber informações sobre as opções disponíveis e participar das decisões relacionadas à vida reprodutiva.

Diferenças entre os estados

O acesso também varia de acordo com o estado. Entre as mulheres, o Tocantins apresentou a maior taxa, com 164 laqueaduras por 100 mil habitantes. O Rio Grande do Sul registrou cerca de 48, enquanto a média nacional foi de 95 procedimentos.

No caso das vasectomias, Santa Catarina liderou, com quase 79 procedimentos por 100 mil habitantes. Na sequência apareceram Paraná, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais. Roraima teve o menor índice, com apenas 1,2 procedimento.

A disponibilidade de profissionais ajuda a explicar parte dessa diferença. Em 2025, Santa Catarina tinha 68 urologistas atendendo pelo SUS, enquanto Roraima contava com apenas quatro médicos dessa especialidade na rede pública. Lilian Leandro, cofundadora do IPFAM, afirma que a informação é necessária, mas não basta: também são essenciais insumos e profissionais de saúde em todo o país.

Procedimentos e participação masculina

A vasectomia é considerada uma cirurgia mais simples e rápida que a laqueadura, mas a procura dos homens continua menor. A cada mês, nascem cerca de 196 mil bebês no Brasil. Em aproximadamente 15 mil desses partos, as mães aproveitam o momento para realizar a laqueadura. Esse volume, isoladamente, supera em mais de duas vezes o total de vasectomias feitas no país.

Para o IPFAM, a mudança desse cenário depende de ampliar o diálogo sobre a participação masculina na saúde da família e de facilitar o acesso de todos a exames e serviços de saúde.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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