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Quando o vocabulário administrativo dilui a responsabilidade pública

A troca de acusações concretas por termos técnicos pode afastar a sociedade da identificação de responsabilidades sobre o dinheiro público.

Quando o vocabulário administrativo dilui a responsabilidade pública

A reação de um burocrata diante de uma denúncia de gravidade sem precedentes é apresentada como sinal do estado de uma instituição — ou de uma nação. Em vez de preocupação com a exposição do caso, aparece o sorriso e a demonstração de conforto de quem conhece corredores, procedimentos, prazos e a linguagem própria daquele ambiente.

Essa segurança está associada à experiência com escândalos que alcançam grande repercussão e, depois, deixam de ocupar o centro do interesse público. O roteiro inclui denúncias, pedidos de explicação, entrevistas, notas oficiais e investigações. Na sequência, entram pareceres técnicos, recursos, comissões e documentos extensos.

O efeito desse processo é espalhar a responsabilidade entre departamentos e competências. À medida que a apuração avança, torna-se mais difícil apontar uma pessoa específica e fazer uma pergunta direta sobre o ato investigado. A cobrança por informações sobre o uso do dinheiro público, assim, passa a ser tratada como se fosse um favor, embora o cidadão sustente o Estado.

A linguagem como proteção

A escolha das palavras contribui para afastar a substância do problema. Corrupção pode ser descrita como irregularidade; desperdício, como inconsistência; e favorecimento, como falha de governança. Termos técnicos e referências em latim ocupam o espaço que poderia ser usado para esclarecer o que ocorreu e quem deve responder.

A ocultação também aparece na forma como práticas ilegítimas são organizadas. Quem desvia recursos procura apagar rastros, enquanto contratos destinados a favorecer amigos podem ser construídos de modo difícil de compreender. A distância entre o ato e o olhar público protege os participantes de um esquema.

Quando até essa tentativa de não ser visto desaparece e dá lugar à ostentação do mal, o problema deixa de estar restrito ao ato investigado. A reação institucional passa a integrar a própria questão, porque o escárnio substitui a preocupação com a fronteira moral ultrapassada.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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