NOVA YORK — A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) começa nesta terça-feira (22), em Nova York, com o Brasil responsável pela abertura dos trabalhos, conforme a tradição do órgão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser o primeiro chefe de Estado a discursar diante dos representantes dos 193 Estados-membros, reunidos até 28 de setembro.
A reforma da ONU deve ser o eixo central da fala brasileira. Lula pretende defender a ampliação do número de membros permanentes do Conselho de Segurança, principal órgão das Nações Unidas. Atualmente, o Brasil ocupa uma cadeira rotativa, mas há anos reivindica uma mudança mais profunda na composição do conselho.
O presidente também deve sustentar a importância do multilateralismo e da soberania dos Estados, além de defender soluções negociadas para os principais conflitos internacionais. A expectativa é de que o discurso inclua críticas diretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na segunda-feira (21), em entrevista à CNN, Lula antecipou parte desse posicionamento ao chamar o republicano de “imperador”. O presidente brasileiro afirmou não concordar com a maneira de governar de Trump e disse: “é a lei do mais forte”.
Confronto político e agenda internacional
Lula deve ainda se contrapor à política de Washington para países da América Latina. Desde o final do ano passado, o governo Trump colocou em prática uma nova Estratégia de Segurança Nacional, com mecanismos de coerção dirigidos a países como Colômbia, Peru e Chile e acordos de exploração e parceria na área de segurança.
Trump, por sua vez, deve manter as críticas à ONU. Em 2025, classificou a agenda climática da organização como “fraude” e afirmou, sem apresentar fundamentos, que havia encerrado conflitos ao redor do mundo. Neste ano, o Oriente Médio deve ocupar parte relevante de sua fala, com uma defesa das ações dos Estados Unidos contra o Irã, alvo desde fevereiro.
O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, confirmou ainda um encontro entre Trump e a presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez. Paralelamente, os países-membros discutirão a sucessão de António Guterres. Entre as candidaturas está a da ex-presidenta da Costa Rica, Rebeca Grynspan, à frente da embaixadora da Guiana nas Nações Unidas, Carolyn Rodrigues Birkett.



