A notícia e o que está por trás
Brasil

MPT processa Cencosud por risco estrutural em depósito do GBarbosa em Sergipe

Ação pede R$ 200 mil e medidas permanentes após trabalhadores atuarem sob escoramento provisório em Itabaiana.

MPT processa Cencosud por risco estrutural em depósito do GBarbosa em Sergipe

A Cencosud, controladora do GBarbosa, é alvo de uma ação civil pública do Ministério Público do Trabalho (MPT) pelas condições estruturais do depósito de uma unidade em Itabaiana, no interior de Sergipe. O processo foi ajuizado em 17 de setembro de 2026 e afirma que trabalhadores permaneceram por cerca de um ano em uma área cuja segurança dependia de escoramento provisório e de limites para o peso armazenado na laje.

A denúncia que deu início à investigação foi apresentada ao MPT em 21 de junho de 2025. O relato informava que o depósito continuava funcionando sob escoramento e era utilizado por empregados do supermercado, trabalhadores terceirizados e promotores de vendas de empresas fornecedoras. Alguns promotores teriam sido orientados por seus empregadores a não entrar no local, que seguia sendo usado para circulação e armazenamento de mercadorias.

O MPT pede R$ 200 mil por danos morais coletivos. Também solicita que a empresa realize, durante três anos, treinamentos anuais sobre riscos de colapso, sinais de fadiga estrutural e procedimentos de evacuação. O órgão quer ainda laudos anuais de inspeção do prédio, controle permanente das cargas, rotas de fuga desobstruídas e comunicação dos riscos aos trabalhadores.

Laudos apontaram necessidade de escoramento

Os documentos técnicos reunidos no processo chegaram à mesma conclusão sobre a estrutura: as escoras eram necessárias para evitar um risco iminente de colapso. A engenharia contratada pela própria Cencosud identificou corrosão nas armaduras da laje e condicionou a segurança à manutenção do escoramento e à restrição de carga.

O perito do MPT apresentou avaliação semelhante. Já a Auditoria-Fiscal do Trabalho classificou a operação como de monitoramento e uso controlado enquanto as obras definitivas não fossem concluídas.

A cronologia da contratação do reparo é um dos fundamentos usados pelo Ministério Público. O inquérito civil foi instaurado em 25 de junho de 2025, quatro dias depois do recebimento da denúncia. No dia seguinte, a Cencosud formalizou com a Conceito Engenharia e Serviços um contrato de recuperação e reforço estrutural no valor de R$ 341,9 mil. A primeira resposta da empresa ao MPT foi apresentada em 27 de junho.

Antes da abertura do inquérito, porém, a companhia já havia informado algumas providências. Em 26 de maio, um plano encaminhado à Defesa Civil registrava a instalação de escoramento metálico provisório, a retirada de uma empilhadeira e de cargas mais pesadas e o andamento da contratação de uma empresa especializada.

A Cencosud informou que terminou as obras em 17 de outubro de 2025. Em março de 2026, pediu o arquivamento da investigação e não assinou o Termo de Ajuste de Conduta proposto pelo MPT. O acordo previa controle rigoroso das cargas, rotas de fuga livres, treinamentos periódicos, comunicação dos riscos e proibição de trabalho em áreas inseguras.

Na audiência realizada em 17 de março deste ano, a companhia afirmou que as medidas haviam sido adotadas com rapidez e boa-fé e avaliou que o acordo não era necessário. O MPT não concordou e levou a questão à Justiça.

Treinamento sobre desabamento também é questionado

O plano de saúde e segurança da Cencosud previa a capacitação de trabalhadores diretos e indiretos sobre riscos de desabamento, prevenção e evacuação. Em setembro de 2025, a empresa promoveu um treinamento para 50 participantes e entregou ao MPT listas de presença, fotografias e o conteúdo apresentado.

A análise técnica do Ministério Público concluiu, contudo, que o material se concentrava em prevenção e combate a incêndios e não apresentava um módulo específico sobre colapso estrutural. A companhia contestou essa interpretação. Nos autos, afirmou que a capacitação tratou de evacuação, comunicação de riscos, responsabilidades dos trabalhadores e cadeia de comando, atendendo ao plano de segurança e às determinações do órgão.

Além da indenização, o MPT pede multa de R$ 5 mil para cada obrigação descumprida, acrescida de R$ 500 por trabalhador atingido.

A Cencosud sustenta no processo que as medidas técnicas necessárias foram tomadas, que a recuperação foi concluída e que, depois das obras, não havia irregularidade capaz de justificar a assinatura do acordo. Por isso, pediu o arquivamento da investigação.

Porte da companhia

A Cencosud é uma multinacional chilena que projeta faturar US$ 18,4 bilhões em 2026. No Brasil, mantém 268 lojas de varejo em oito estados e opera por meio de empresas como a Cencosud Brasil Comercial, que reúne bandeiras como o GBarbosa, e a Cencosud Brasil Atacado, ligada às operações de atacarejo.

O MPT cita que a Cencosud Brasil Comercial tem capital social superior a R$ 4,32 bilhões e registra um histórico de mais de 2.855 autos de infração lavrados por órgãos de fiscalização do trabalho em todo o país. A reforma do depósito custou pouco mais de R$ 340 mil.

Entre 2024 e junho de 2026, a Cencosud Brasil Comercial e a Cencosud Brasil Atacado declararam juntas R$ 323,6 milhões em benefícios fiscais federais: R$ 64,4 milhões em 2024, R$ 102,3 milhões em 2025 e R$ 156,9 milhões nos primeiros seis meses de 2026.

O GBarbosa integra a Cencosud desde 2007. O grupo também mantém no Brasil as marcas Prezunic, Perini, Giga Atacado, Mercantil Atacado e Spid. A companhia atua ainda no Chile, na Argentina, no Brasil, no Peru, na Colômbia e nos Estados Unidos.

No processo, a empresa pede o encerramento da investigação com o argumento de que a recuperação estrutural foi concluída e as medidas previstas foram adotadas. O MPT, por sua vez, pretende que as obrigações de prevenção e fiscalização sejam mantidas por três anos, além do pagamento da indenização coletiva.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.